Exaltação ao Rio

Exaltação ao Rio

» ARNALDO NISKIER Membro da Academia Brasileira de Letras, presidente do Ciee/RJ e professor emérito da Universidade Cândido Mendes (Ucam)
postado em 10/06/2015 00:00
 (foto: Fernando Lopez/CB/D.A Press)
(foto: Fernando Lopez/CB/D.A Press)


A cultura pode sobreviver aos tempos implacáveis que vivemos nesta primeira década do século 21? A noção do fim da história num mundo pós-moderno parece conduzir para uma sociedade robotizada em que todos os anseios humanos seriam programados por computador e as emoções fugazes e descartáveis se assemelhariam a lances banais de um videogame.

Neste cenário sombrio, a cultura pode parecer enganosamente supérflua ou até desnecessária, luxo em planeta consumido cronicamente pela violência e pela fome. Para os regimes totalitários, ela sempre representou ameaça, por sua insistência em levar os homens a pensar ; e, mais do que tudo, a pensar livre e democraticamente.

O Rio de Janeiro tem mantido a condição de capital cultural do país. Em seu território, permanecem algumas das entidades que dão corpo à cultura brasileira, como a Biblioteca Nacional, o Museu Nacional de Belas Artes, o Museu Histórico, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, o Observatório Nacional, a Academia Brasileira de Letras, a Academia Nacional de Medicina, além de grupo de universidades essenciais, como a Universidade Federal do Rio de Janeiro, a Pontifícia Universidade Católica, a Fundação Getulio Vargas, a Universidade Federal Fluminense, a Unirio, o Ibmec e a Unicarioca.

No campo da pesquisa, no território fluminense se localiza o Centro de Pesquisas do Fundão, administrado pela UFRJ, tendo ao lado a prestigiada Coppe, que fornece material humano de primeira ordem aos projetos nacionais de pesquisa e desenvolvimento. A Comissão Nacional de Energia Nuclear nasceu no Rio por iniciativa do almirante Álvaro Alberto, também atuante no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Aqui, funciona o Centro Nacional de Pesquisas Físicas.

Terra de Machado de Assis, o Rio de Janeiro deu ao Brasil outros grandes escritores, como Lima Barreto, Marques Rebelo, Manoel Antonio de Almeida e o consagrado Carlos Heitor Cony, por muitos considerado o maior romancista vivo dos tempos modernos. E, aqui, viveram grandes nomes da nossa literatura, mesmo nascidos em outros estados. Podemos citar o caso de Josué Montello, Adonias Filho, Rachel de Queiroz, João Ubaldo Ribeiro, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos e do baiano Jorge Amado.

No campo da comunicação, a liderança se faz pela presença da Rede Globo de Televisão, que está comemorando 50 anos de existência. Tem sólida audiência em todo o país, especialmente graças às telenovelas e ao jornalismo de primeiríssima ordem. É a quarta Network do mundo.

Devemos citar a presença das emissoras de rádio nesse processo de comunicação. A Tupi, da Rede Associada, hoje em primeiro lugar, e a Globo, que, durante muitos anos, foi líder de audiência. Com a transmigração para a operação em FM, a CBN ocupa posição de justo destaque, fazendo da notícia a sua razão de ser. Compete em nível nacional com a Band News.

Cabe reflexão sobre o quanto deve o cinema nacional ao Rio de Janeiro. Foi aqui a sede da Atlântida Cinematográfica. Podemos contar com diretores do porte de Cacá Diegues, Eduardo Coutinho, Daniel Filho, Arnaldo Jabor e do incrível Renato Aragão. Cada um, a seu modo fez do sucesso a sua razão de ser.

Rio, capital do samba. Respira-se música popular em todos os seus rincões, especialmente nas favelas. Alguém imagina carnaval melhor do que o do Rio? Existe algo mais impressionante do que os desfiles no Sambódromo? Ou os sambas inspirados de Tom e Vinicius?

Quanto aos jornais, temos O Globo como um dos principais do Brasil, competindo com a Folha de S.Paulo, o Correio Braziliense e o Estado de S.Paulo em relação à tiragem. Em termos de jornal popular, o Extra é muito bem situado.

Esse é o Rio de Janeiro, de belezas naturais incomparáveis. Onde também existe um povo alegre e trabalhador, competente naquilo que faz, ajudando o Brasil a se colocar entre as maiores potências do mundo. A colaboração do Rio de Janeiro, convenhamos, é inestimável.

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