Governo renuncia

Governo renuncia

postado em 10/06/2015 00:00
O primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, apresentou ontem a renúncia de seu governo ao presidente Recep Tayyip Erdogan, que aceitou e pediu ao premiê para continuar no cargo até a formação do novo gabinete. Foi a primeira decisão política de impacto desde a derrota nas eleições legislativas de domingo, quando o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) perdeu a maioria no parlamento ; a facção governista obteve 258 das 550 cadeiras da Casa. ;O presidente Erdogan aceitou a demissão do governo apresentada pelo primeiro-ministro Ahmet Davutoglu (...) e pediu que o governo continue em funções até a formação de um novo Executivo;, anunciou a presidência, que não informou se Davutoglu será encarregado de formar o novo governo.

Gül Berna ;zcan, especialista turca da Universidade de Londres, disse ao Correio que a renúncia é parte da rotina para formar um novo governo. ;Agora, a agenda é resolver o quebra-cabeças de cenários de uma possível coalizão. Nenhum partido formará um governo com o AKP se não obtiver sérias concessões;, comentou. Segundo ela, um tema crítica deverá ser a posição de Erdogan. ;Quase todas as facções políticas acordaram que ele deveria recuar de sua posição constitucional e cerimonial. É quase certo que o presidente não concordará com isso.;

;Espera-se que o partido ultranacionalista MHP (Partido da Ação Nacionalista da Turquia) seja chamado a se tornar um parceiro-júnior do AKP. Isso não representaria um grande resultado para o HDP (Partido Democrático Popular), apoiado pelos curdos, o qual fará parte do parlamento pela primeira vez;, afirmou Sherifa Zuhur, analista da Universidade da Califórnia, Berkeley.

Segundo ela, a questão é saber o quanto de poder real a legislatura terá com Davutoglu e se será capaz de reclamar poderes agrupados por Erdogan e seu gabinete-sombra. ;A menos que outros partidos formem uma coalizão para se contrapôr ao AKP, não haverá uma força real para confrontá-lo no parlamento.;

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