Transtorno para ir trabalhar

Transtorno para ir trabalhar

» PALOMA SUERTEGARAY
postado em 10/06/2015 00:00
 (foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press)
(foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press)





Entre os 1,2 milhão de usuários atingidos pela greve dos ônibus no Distrito Federal, aqueles que dependem do transporte público para trabalhar ficaram entre os mais prejudicados. Desde antes das 6h de ontem, era possível encontrar gente esperando nas paradas, mas nenhum coletivo à vista. A única alternativa para muitos foi recorrer, pelo segundo dia consecutivo, ao transporte pirata, mais caro e perigoso. Para os patrões, a paralisação também trouxe problemas. Vários tiveram de lidar com atraso ou ausência de funcionários e precisaram, inclusive, fechar as lojas mais cedo, para dar tempo aos empregados de voltar para casa com segurança. A greve começou na segunda-feira e, diante da falta de acordo entre os rodoviários e os donos de empresa, continua hoje.

Em torno das 6h30, o construtor civil Reginaldo Costa aguardava há mais de uma hora em um ponto de Ceilândia, onde reside, para chegar até o trabalho, em Samambaia. ;Na segunda, precisei pegar transporte irregular e, mesmo assim, me atrasei um pouco. Hoje (ontem), continua do mesmo jeito. Não vi nenhum ônibus passando;, reclama. Para Reginaldo, ainda que os chefes entendam as dificuldades enfrentadas, a revolta do usuário é grande. ;Essas greves vivem se repetindo. Os donos das empresas precisam se organizar e pagar os rodoviários;, defende.

Com a paralisação, alguns foram obrigados até a perder um dia de serviço. Foi o caso da auxiliar em recursos humanos Margareth Thiago, moradora de Samambaia. Ela trabalha no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA). ;Esperei por duas horas na parada, mas não passou nenhum coletivo. Não vou em vans piratas, porque cobram até R$ 10, e os motoristas são muito sem educação. Tive de desistir;, relata. Ontem, ela chegou às 6h15 na parada e, até as 8h, não tinha pegado um ônibus. ;Eu entendo que os rodoviários tenham de receber, mas sou contra a greve, porque a gente paga pelo transtorno;, acrescenta.

A técnica em segurança de trabalho Fabiane Gomes, 32 anos, moradora da Via Leste, em Ceilândia, também precisou se ausentar do serviço, no Gama. ;Na segunda, não consegui nem transporte irregular, porque não passou nenhum para lá. Além disso, tive de caminhar da minha casa até a parada, no centro da cidade, trajeto que eu, geralmente, também faço de ônibus;, comenta. Fabiane se preocupa porque é nova no emprego. ;Comecei há menos de um mês. Os meus chefes compreendem a situação, mas não quero perder mais um dia de serviço.;

Prejuízo

Para os donos de empresas e comércios em Brasília, a greve também atrapalhou bastante a rotina. Atrasos e ausências de funcionários que não conseguiram chegar causaram problemas para os patrões. O empresário Ricardo Mitchell, 41 anos, emprega três vendedoras em uma das suas lojas de brinquedo, na Asa Sul. Duas delas moram em Ceilândia e chegaram com atraso na segunda e ontem. ;Eu entendo que existe o problema da paralisação, mas é difícil. Temos mais uma loja na Asa Sul que precisei fechar 1h mais cedo para que os funcionários pudessem ter tempo suficiente para voltar pra casa. Com isso, perde-se dinheiro;, relata.

O auxiliar administrativo Joilson Sandes, 35 anos, ajuda a cuidar de uma padaria na Asa Norte e teve de lidar com alguns imprevistos por causa da paralisação. ;Na segunda-feira, o padeiro da noite não conseguiu vir, porque não havia ônibus, e ficamos sem ninguém para fazer os pães a serem vendidos no dia seguinte. Precisamos trazer um empregado de outra unidade;, conta.

As reivindicações

O que querem os rodoviários
; 20% de aumento salarial para motoristas e cobradores
; 30% de tíquete-alimentação e cesta básica
; Plano de saúde complementar


O que oferecem os empresários
Aumento de salários e benefícios
de 8,34%, pelo INPC ; que mede a inflação oficial

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