Um século de samba!

Um século de samba!

Protagonizado por Diogo Nogueira, o musical Sambra revive a história do mais brasileiro dos ritmos

Diego Ponce de Leon
postado em 10/06/2015 00:00
 (foto: Guto Costa/Divulgação



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(foto: Guto Costa/Divulgação )


Quem foi que falou que ele não é um moleque atrevido? A referência à canção de Jorge Aragão serve bem para definir o momento atual do sambista Diogo Nogueira. Eis que ele se atreveu a transgredir a música e enveredou pelo teatro. No musical Sambra, que desembarca no Espaço Cultural Brasília (Shopping Iguatemi) hoje e amanhã, o filho de João Nogueira estreia como ator.

Embora não seja exatamente familiarizado com o ambiente das artes cênicas, o enredo em questão favoreceu o trabalho de Diogo no palco. Sambra revive os 100 anos do gênero mais brasileiro de todos, o samba, como o próprio título do espetáculo antecipa. Ou seja, Diogo está em casa.

;Foram três meses de preparo. Um processo bem diferente dos ensaios de música;, contou o artista. Tempo considerado curto para encarar uma peça que dura mais de duas horas. O elenco que acompanha Diogo foi fundamental para criar um ambiente de intimidade: ;Eles me acolheram muito bem e me ajudaram com as marcações, que não são lá muito comuns nas apresentações musicais;. Entre outros, Diogo encarna Mário Reis, o malandro Zé Pilintra e até o mestre da bossa nova, João Gilberto.


Nascidos no samba
Fundamental ressalvar que Sambra não diz respeito somente a Diogo Nogueira. Pelo contrário, o cantor é um dos 17 artistas em cena. O musical conta com outros nomes experientes, tais como Ana Velloso, Alan Rocha, Izabela Bicalho, Lilian Valeska e Beatriz Rabello, filha de Paulinho da Viola. No comando dessa trupe do samba, um dos mais criativos diretores cariocas da atualidade, Gustavo Gasparini.

;O diferencial talvez seja o fato de toda nossa equipe ter uma relação íntima com o samba. No elenco, temos passistas de escola de samba, cantores, moradores de comunidade. O pandeiro ali corre na veia;, observa Gustavo.

Ele mesmo flerta com o ritmo há décadas. Passista da Estação Primeira de Mangueira, Gustavo esteve à frente de vários outros musicais dedicados ao samba, como As mimosas da Praça Tiradentes, Clara Nunes ; Brasil mestiço e A flor e o samba. O artista coleciona ainda diversos papéis na televisão e no cinema.

Em uma superprodução, Gustavo passeia pelos mais marcantes períodos do samba, desde a época do teatro de revista até a década de 1980. Carmem Miranda, Beth Carvalho, Martinho da Vila, Sinhô, por exemplo, dão as caras e rendem animados quadros. Ao todo, 70 canções emocionam a plateia, que costuma acompanhar o espetáculo em coro. Como o próprio Diogo Nogueira atesta: ;O samba cura as pessoas;.

Sambra
Com Diogo Nogueira e grande elenco. No Espaço Cultural Brasília (Shopping Iguatemi ; Lago Norte). Amanhã e sexta-feira, às 21h. Ingressos entre R$25 e R$220. Classificação livre.

Algumas canções do repertório

Agoniza mas não morre (Nelson Sargento)
A voz do morro (Zé Ketti)
Jura (Sinhô)
Aquarela do Brasil (Ary Barroso)
As rosas não falam (Cartola)
A volta do malandro (Chico Buarque)
Brasil pandeiro (Assis Valente)
Coisa de pele (Jorge Aragão e Acyr Marques)
Foi um rio que passou em minha vida (Paulinho da Viola)
Aquarela brasileira (Silas de Oliveira)

Música e terapia
; O músico, sensitivo e escritor Ivan Trilha estará hoje, das 16h às 20h, no Hotel Biarrits (SHN, Q. 1 Asa Norte), lançando o CD Na trilha das mandalas. Precursor de terapias alternativas e da valorização do poder da mente humana, o trabalho de Trilha já foi premiado em países como México, Paris, Japão e Colômbia. Além do CD, ele vai autografar os livros Mentalize e realize agora ; A arte de dominar a mente e Agradece agora.

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