PONTO A PONTO - FERNANDO BRANT

PONTO A PONTO - FERNANDO BRANT

IRLAM DA ROCHA LIMA JOSÉ CARLOS VIEIRA SEVERINO FRANCISCO
postado em 14/06/2015 00:00
 (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press - 22/10/14)
(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press - 22/10/14)

Confira a seguir, os principais trechos de longa entrevista concedida ao Correio por Fernando Brant, em maio de 2012.

Relação com a poesia
Desde os tempos do colégio, gostava de fazer redação, intuía que meu caminho seria pela área da cultura. Gostava muito de ler Carlos Drummond, Manuel Bandeira, João Cabral, Garcia Lorca e Fernando Pessoa.

O fazer letras de música
Eu tinha 20 anos, escrevia para uns jornaizinhos de escola, fazia poesias, mas as guardava na gaveta. Mas no começo de 1967, o Milton Nascimento me pediu para colocar letra em uma música. Naquela época, não tinha gravador, memorizei a melodia e coloquei as palavras que cabiam nela. Era a primeira vez que eu fazia isso na minha vida. A música ficou em segundo lugar no Festival Internacional da Canção, no Maracanãzinho.

O autógrafo de Milton Nascimento
Quando ganhamos o segundo lugar, o Bituca (Milton Nascimento) foi lá em casa para comemorar e pediu emprestado o violão à minha irmã, Maria Célia. Ela disse que só emprestaria se ele autografasse o instrumento. O Milton relutou, argumentando que estragaria o violão. A minha irmã respondeu que não importava. O
violão está na casa dela até hoje.

A premiação no festival
Impulsionou nossa carreira. Com certeza, se não tivesse ocorrido a premiação, eu poderia abandonar aquela primeira experiência de letrista. Era algo fantástico, os artistas que a gente admirava dos discos e do rádio estavam todos lá, agora na condição de colegas. O negócio foi tão forte que, antes de assinar contrato com uma gravadora brasileira, o Milton fechou com a norte-americana EMI Records. Com isso, me entusiasmei e o Milton me mandou outra melodia para colocar letra. Era a música Outubro, que entrou no primeiro disco com Travessia. Fiquei tenso, pensando que, no mínimo, teria de ser do mesmo nível da primeira composição. Outubro é uma outra visão de Travessia.

O modelo de letrista
Não tinha, mas gostava do Vinicius, do Capinam, do Torquato Neto. Estava acompanhando o que acontecia como ouvinte. Na verdade, o meu problema como letrista era ouvir, gravar bem e saber que palavras colocar.

Músicas com Bituca
Umas 200.

Letras e ditadura
Comecei a fazer música em 1967, três anos depois do golpe. Mas, até 1968, as coisas eram mais ou menos tranquilas. Depois é que a situação ficou brava. Em 1964, eu estava em Diamantina, passando a Semana Santa com meu pai e meu irmão, quando começou o golpe. Escrevi um texto para o filme do Silvio Tendler, sobre Jango. Chorei quando o Jango foi embora. As lágrimas de 1964 continuam justas. Já estava interessado no que estava ocorrendo no Brasil. Mas muitas vezes, isso não aparece de maneira direta nas letras.

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