LCAs e LCIs garantem lucro

LCAs e LCIs garantem lucro

Bancos escondem esses papéis, mas eles rendem bem acima do custo de vida, sem IR

» Simone Kafruni
postado em 14/06/2015 00:00

Quem está descontente com os baixos rendimentos da caderneta de poupança e ainda acha complicado aplicar em títulos públicos por meio do Tesouro Direto deve perguntar aos gerentes de seus bancos sobre as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs). Poucos difundidos, esses papéis estão pagando juros bem acima da inflação, com a vantagem de os ganhos serem isentos do Imposto de Renda (IR).

A pedido dos bancos, o governo já começou a mexer no funcionamento desses papéis. Agora, as aplicações mínimas são de 90 dias. A pressão, no entanto, continua. As instituições financeiras, que não gostam das LCAs e das LCIs, porque favorecem mais os clientes do que a elas, querem que a remuneração seja tributada, como ocorre nos fundos de renda fixa, nos fundos DI, no Tesouro Direto e nos Certificados de Depósito Bancário (CDBs)

Do ponto de vista do investidor, não faz muita diferença aplicar em LCI ou LCA. O que importa é a taxa oferecida no momento. ;Esses títulos têm liquidez um pouco menor, por isso, são mais indicados para médios e grandes investidores. Alguns bancos exigem aplicação inicial a partir de R$ 10 mil;, explica Miguel Oliveira, diretor da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac) .

As LCIs e as LCAs podem ter rentabilidade pré ou pós-fixada, ou seja, o investidor pode saber, no ato da aplicação, quanto exatamente receberá durante o tempo da transação, ou esperar até o vencimento dos papéis para conferir a remuneração, torcendo para que o mercado não lhe pregue nenhuma peça desagradável. Rogério Olegário, diretor executivo e consultor da Libratta Finanças Pessoais, diz que, atualmente, esses títulos estão mais difíceis de serem encontradas, porque há pouca demanda por crédito imobiliário e por financiamentos do agronegócio, devido à recessão na qual o país está mergulhado. Pelas regras do mercado, o dinheiro investido em LCI deve ser destinado pelos bancos à casa própria. E os recursos da LCA, para o campo.

Um investimento mínimo de R$ 100 mil na LCA, por um prazo de 360 dias, está pagando, em média, 12,83% ao ano de juros, sem desconto de IR. Com a inflação próxima de 9%, a rentabilidade líquida vai para 3,51%. O mesmo papel com prazo de aplicação de 180 dias e investimento de R$ 200 mil rende, atualmente, 12,44% anuais. Já uma LCI de dois anos, com aplicação mínima de R$ 30 mil, remunera, na média, o investidor em 13,06% ao ano.

Armadilhas


Os poupadores que não dispõem das quantias exigidas pelos bancos para as LCAs e as LCIs, mas não abrem mão de ficar no mercado de juros, podem escolher entre os fundos de renda fixa e os fundos DI, que vêm pagando entre 0,8% e 1% de juros ao mês. Mas é preciso ficar atento. Esses rendimentos são brutos. Sobre os ganhos, incidem Imposto de Renda, cujas alíquotas variam de 15% a 22,5%, dependendo do prazo. Quanto mais tempo o dinheiro ficar aplicado, menor será a tributação. O IR, geralmente, é recolhido a cada seis meses, o chamado come-cotas.

Mas há algo mais importante que o IR a ser conferido pelos investidores: a taxa de administração cobrada pelos bancos nos fundos de investimentos. O ideal, para que os poupadores tenham um bom retorno, é que esse custo seja de, no máximo, 1,5% ao ano. Acima disso, só as instituições financeiras ganharão. ;Pouca gente se dá conta da taxa de administração. Ela é sempre maior para os pequenos investidores, os mais desatentos;, afirma Denys Wiese, economista do site euqueroinvestir.com.br. Sendo assim, desconfie dos fundos que os gerentes de bancos oferecem. Para eles, o mais importante é ampliar o lucros dos seus empregadores.

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