Dificuldade para poupar

Dificuldade para poupar

» ALESSANDRA AZEVEDO ESPECIAL PARA O CORREIO
postado em 14/06/2015 00:00

A despeito do atual momento de insegurança e do medo de faltar dinheiro, muitas pessoas enfrentam dificuldades para economizar. Com o endividamento elevado e a renda corroída pela inflação, não está sobrando recursos. ;Em vez de investirem, as pessoas estão precisando retirar dinheiro da caderneta de poupança para pagar contas básicas;, explica o analista de finanças públicas Fábio Klein, da Tendências Consultoria. Trata-se de um problema sério, pois muita gente pode chegar à velhice sem ter como se sustentar.

Os problemas conjunturais não explicam, sozinhos, a dificuldade dos brasileiros para poupar. ;Estamos falando de um problema cultural. Mesmo que precisem, os brasileiros não têm o hábito de guardar dinheiro;, resume a planejadora financeira Myrian Lund, da Fundação Getulio Vargas (FGV). Segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), o Brasil é um dos países que menos poupam entre as economias emergentes. A taxa de poupança brasileira está em torno de 14% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 30% da asiática.

Na avaliação de Myrian, o histórico de inflação alta no Brasil agrava o descompromisso com a poupança. ;A nova geração, mesmo com o país mais forte e globalizado, tem um passado que não ajuda, de pessoas que não valorizavam juntar dinheiro e só agora estão aprendendo, pela dor, como isso é importante;, explica.

Quem faz parte desse grupo é a funcionária pública Maria Aparecida de Oliveira, que, aos, 58 anos de idade e 31 de contribuição ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), não arrisca se aposentar, apesar de já preencher todos os requisitos. ;Como não economizei nada ao longo dos anos, não tenho nenhum pé-de-meia. Se parar de trabalhar agora, eu deixo de receber dinheiro e benefícios sem os quais não posso ficar;, lamenta. Ela admite que, se pudesse voltar atrás, teria guardado pelo menos 30% do salário todo mês, desde que começou a trabalhar. ;Eu gastei muito e não pensei no que poderia acontecer depois;, lamenta.

Segundo pesquisa do Banco HSBC, mais da metade das pessoas com idade superior a 44 anos (54%) e 42% dos aposentados admitem que não começaram a poupar cedo o suficiente para garantir um futuro melhor. As economias também são importantes para momentos de emergência. Que o diga Rodrigo Nogueira, 32, que viu a qualidade de vida despencar depois que perdeu o emprego. Ele, a mulher e os dois filhos precisaram se mudar para uma casa menor e vender um dos dois carros.

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