O luxo também tem vez

O luxo também tem vez

postado em 14/06/2015 00:00
 (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
(foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)

As sócias Nathália Abi-Ackel, 25 anos, e Bárbara Souza, 29, publicitárias, começaram de forma parecida com a de Tchérena. Após uma temporada em Milão, visitando inúmeros brechós que considerava muito legais, Bárbara voltou com a proposta para Nathália e para mais uma amiga. Naquele momento, ambas não puderam entrar na empreitada (Nathália partiu para um intercâmbio; a outra estava ocupada com preparativos de casamento).

Um susto marcou o impulso inicial do negócio. Desanimada, Bárbara estava prestes a se desfazer de suas roupas quando, no caminho, sofreu um pequeno acidente com o carro. ;Eu fiquei mal, mas entendi aquilo como um sinal de que não era pra eu entregar nada;, conta. Assim, há 2 anos, nascia a Oh My God Retrô Club. Basicamente, Bárbara postava numa rede social fotos de peças mais sofisticadas e de marca.

Quando Nathália finalmente voltou, abraçou o negócio e as duas juntas fizeram que ele crescesse. Começaram a atender clientes com hora marcada na casa do pai de Nathália, e levar a Oh, my God a eventos ao ar livre. No fim do ano passado, as duas foram convidadas pela Vogue para fazer uma pop-up (loja-relâmpago) no Lago Sul. Foi quando viram o quanto aquilo dava certo.

;Com hora marcada, as pessoas ficavam com o pé atrás, achavam que ficariam na obrigação de comprar;, explica. Precisavam de um espaço para receber clientes. Ocuparam, então, um espaço vago em uma casa no Lago Sul, onde funciona uma clínica. O lugar está longe de ser o que alguns pensam de brechó: abafado e bagunçado.

Elas têm motivações ideológicas. ;Nós acreditamos na história de fazer sua parte pelo planeta, em reciclar a moda, em tendências que voltam;, analisa Nathália. Para ela, a questão de um coisa estar ou não fora de moda é relativa. Depende de estilo e da esperteza na hora de se vestir. ;Se você treinar, consegue comprar uma roupa hoje e combinar com uma roupa da sua avó;, garante.

Em geral, os preços são fixados assim: ; do valor original. ;Nessa crise financeira, com o dólar alto e tudo, quem gosta de marca descobre uma mina de ouro na Oh, my God;, afirma Bárbara. Inclusive, algumas peças ainda estão com etiqueta, nunca foram usadas. De R$ 90 a R$ 4 mil, é possível encontrar coisas incríveis. Nathália e Bárbara têm fornecedores do Brasil inteiro e também de fora. Viajam ao exterior com regularidade para trazer novidades. Semana passada, Nathália estava em Nova York. ;Nós só colocamos na Oh, my God aquilo de que gostamos mesmo, que gostaríamos de ter. Temos também o cuidado para que tudo combine, de certa forma, entre si;, define Nathália.

Apesar da loja física, Nathália e Bárbara não abriram mão de eventos ao ar livre. Por isso, sempre organizam feirinhas no quintal da casa que é sede do brechó. ;Tem piscina, daí a gente faz uns drinques, coloca música;, exemplifica Bárbara. Elas já fizeram um evento de ioga, em que todo lucro foi repassado para uma instituição de caridade e também organizaram uma festa com temática de Dia dos Namorados, com designers de joias de São Paulo.

Para começar

Os bazares ainda são eventos muito informais, sem datas certas para acontecer. Enquanto isso, você pode anunciar algo que não usa mais na internet. A maioria dos sites trabalha com peças de vestuário e acessórios.

  • Enjoei (www.enjoei.com.br) ; site em que se pode comprar roupas e acessórios de qualquer lugar do país.
  • Mães de Brasília compra e venda ; grupo no Facebook
  • Bazar do desapego Brasília ; perfil no Facebook
  • Desapega, menina! (@desapegameninavestidos) ; perfil do Instagram


Bem no filme

Se você quiser botar algo à venda, uma preocupação básica é com a foto do produto, que pode valorizar seu anúncio. A equipe do site Enjoei dá dicas:

  • Preste atenção no cenário.
  • Escolha um fundo legal, que não dispute com a peça fotografada.
  • A luz é importante. De preferência, faça a foto ao ar livre.
  • Não use o flash.
  • Tire fotos de vários ângulos e de detalhes.
  • Se souber usar Photoshop, pode se bom, mas cuidado para não fazer propaganda enganosa.



O charme da despretensão

O bazar de Fernanda Morgani, 32 anos, administradora, e Laila Reis, começou de forma despretensiosa em 2011. Passaram por ele cerca de mil pessoas na última das 17 edições realizadas. Na primeira, eram apenas cinco amigas em uma casa. ;Nos reunimos para lanchar e trocar peças que tínhamos e não usávamos;, conta Fernanda. Ela conta que viviam emprestando roupas umas às outras. Trocar era um passo natural. ;Às vezes, uma roupa passa pelo bazar mais de uma vez;, revela.

Aos poucos, o grupo de amigas foi crescendo, até que não cabia mais todo mundo na casa. O Bazar das Meninas, então, foi transferido para a praça da QE 17, do Guará. O foco permanece sendo a troca de mercadorias, não a compra. Artistas também são convidados. Ele têm direito de precificar sua arte, mas não pode passar de R$ 20. Em casos em que alguém não tenha o que trocar, também funciona a estipulação do preço até esse limite. ;Quando ampliamos, queríamos que fosse um evento social e comunitário. Queríamos impulsionar a economia solidária e também criativa;, explica. Não é feito qualquer tipo de curadoria: artistas levam sua arte e quem quiser leva peças de roupas usadas.

Até a sexta edição, o bazar era de fato exclusivo para meninas. Depois disso, elas decidiram que queriam agregar mais gente. Para isso, usaram diversas estratégias. Para atrair homens, por exemplo, elas convidaram motoclubes da cidade. A curiosidade pelas motocicletas fez com que os homens aparecessem. Quanto a roupas, elas lamentam não ter tantas opções para eles, mas Fernanda justifica, satisfeita, o comportamento deles: ;Homem não fica comprando igual a gente. Eles usam até rasgar;. Se, por um lado, eles não investem em vestuário, por outro, acumulam em casa coisas como vídeo-games, instrumentos musicais, LPs... Essa é a contribuição deles para o Bazar das Meninas.

Defensora do consumo consciente, Fernanda admite que nem sempre foi assim. ;Eu tinha mania de comprar porque estava triste, comprar porque estava feliz e, de repente, a crise impossibilitou que eu fizesse isso e me fez enxergar essa questão do consumo com outros olhos;, explica. Atualmente, prefere garimpar e bazares e garante que se sente ainda mais feliz com a aquisição: ;Além de ter pagado bem mais barato ou só ter trocado por algo

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