Liderança no cartel

Liderança no cartel

postado em 20/06/2015 00:00
Sem fechar acordo de delação premiada, o empreiteiro Gérson Almada, um dos donos da Engevix, investigada na Operação Lava-Jato, confirmou a existência de reuniões em que as construtoras combinavam repartir obras da Petrobras antes das concorrências serem postas em práticas. Segundo ele, executivos da Odebrecht, da Queiroz Galvão e da UTC lideravam os encontros. ;Haveria uma proposta menor por parte da empresa ou consórcio designado para ganhar o contrato, sendo as demais propostas de apoio, a fim de compor a concorrência;, disse o vice-presidente da empresa à Polícia Federal.

Procuradas pelo Correio, as construtoras negaram o cartel, mas silenciam sobre a existência das reuniões.;A maioria dessas reuniões era promovida por iniciativa dos Márcio Farias (Odebrecht), Ricardo Pessoa (UTC) e Othon Zanoide (QG), aos quais acredita que competia compilar as decisões travadas no curso dessas reuniões a fim de que fossem implantadas;, disse Almada, vice-presidente da Engevix, em depoimento em 24 de abril.

A Odebrecht disse que ;não participa e nunca participou de cartel;. ;Todos os contratos que mantém, há décadas, com a Petrobras, foram obtidos por meio de processos de seleção.; A Queiroz Galvão negou ;práticas anticoncorrenciais;, e reafirmou seguir a legislação. A UTC e a Engevix afirmaram que não comentariam o assunto. ;A Engevix está prestando os devidos esclarecimentos à Justiça.; (EM)

Depósito no exterior
Um depósito de US$ 300 mil dólares na conta de uma empresa controlada pelo ex-dirigente da Petrobras e da Sete Brasil Pedro Barusco mostra o nome da Odebrecht. O ex-funcionário disse que recebia propinas da empreiteira por meio de Rogério Araújo. A transação foi feita em 30 de setembro de 2013 para conta da offshore Canyon View Assets no Royal Bank of Canada, na Suíça. O juiz Sérgio Moro considerou a informação relevante. ;Consta expresso o nome da Odebrecht como responsável pela transação;, afirmou o magistrado.

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