Despesa com seguro-desemprego subirá

Despesa com seguro-desemprego subirá

postado em 20/06/2015 00:00
 (foto: Carlos Moura/CB/D.A Press - 3/6/15)
(foto: Carlos Moura/CB/D.A Press - 3/6/15)


O aumento da desocupação nos próximos meses levará um número maior de brasileiros a requerer o seguro-desemprego, preveem os analistas. Como as demissões estão pulverizadas em todos os setores da economia, trabalhadores formalizados a mais de um ano também correm o risco de serem dispensados pelas empresas. Logo, nem a alteração na regra para primeira concessão do benefício, que determina que o auxílio só pode ser autorizado se o segurado comprovar 12 meses de trabalho com carteira assinada, será suficiente para brecar o aumento das despesas públicas.

Nas contas de Rodolfo Peres Torelly, ex-diretor do Departamento de Emprego e Salário do Ministério do Trabalho (MTE) e consultor do portal Trabalho Hoje, mais de 700 mil vagas devem ser fechadas nos próximos meses, o que totalizaria 1 milhão de postos encerrados no ano. De janeiro a maio, 278.334 pessoas não conseguiram se recolocar no mercado de trabalho após a dispensa, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Torelly detalhou que a forte desaceleração da economia implicará um nível maior de desemprego no segundo semestre em todos os setores da atividade. Dessa forma, muitas pessoas terão direito a requerer o benefício trabalhistas. ;O governo decidiu fazer alterações nas regras para concessão do seguro no momento em que as pessoas mais precisarão do dinheiro.
Temos um problema grande porque o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) tem os recursos para custear os gastos, mas boa parte dos recursos é usado a pelo governo em outras finalidades, como garantir os financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Na opinião do especialista em contas públicas da Tendências Consultoria Fabio Klein, a economia prevista pelo governo com as mudanças nas regras de concessão de benefícios está comprometida. O Executivo estimou redução de R$ 12 bilhões somente com o pagamento do seguro-desemprego, mas Klein projetou que, somados às alterações feitas também nas leis previdenciárias, não ultrapassará os R$ 5 bilhões. ;Não sabemos o universo de trabalhadores que terão direito ao seguro, mas com a alta do desemprego, a tendência é que mais pessoas possam fazer a solicitação;, disse. (AT)

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