Desemprego de maio é o maior desde 1992

Desemprego de maio é o maior desde 1992

Superando as expectativas do mercado, 115.599 vagas formais foram fechadas no mês. Estimativa é de que, até o fim do ano, 1 milhão de postos sejam encerrados

ANTONIO TEMÓTEO
postado em 20/06/2015 00:00
 (foto: Ed Alves/CB/D.A Press - 31/10/14)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press - 31/10/14)


A retração da economia brasileira tem obrigado os empresários a reduzir custos, muitas vezes com dispensa de trabalhadores. Em maio, 115.599 vagas foram fechadas no mercado formal. Esse é o pior resultado para o mês desde 1992, quando os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) começaram a ser publicados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Os números surpreenderam os analistas, que passaram a apostar em um ritmo maior de demissões nos próximos meses até totalizar 1 milhão postos encerrados no fim de 2015. Muitos acreditam que o nível de desocupação continuará em alta ainda em 2016.

Nos cinco primeiros meses do ano, 278.334 vagas foram encerradas, com base nos dados sem ajuste do Caged. Nos últimos 12 meses, finalizados em maio, 452.835 deixaram de existir. Com exceção da agricultura, todos os setores demitiram mais do que contrataram. O segmento industrial, o mais afetado, dispensou 60.989. Seguido por serviços (-32.602), construção civil (-29.795) e comércio ( -19.351) também com quedas significativas.

Entre as regiões do país, o Sudeste foi a que teve o maior número de moradores dispensados do mercado formal: 46.267. Em São Paulo, 23.037 vagas foram fechadas, no Rio de Janeiro, 11.105 e em Minas Gerais, 10.024. Em seguida, a Região Nordeste foi a que mais fechou postos de trabalho: 34.803. Em Alagoas, 9.627 trabalhadores passaram a fazer parte das estatísticas de desemprego e na Bahia 7.419 pessoas não têm mais carteira assinada. No Distrito Federal, os desligamentos também superaram as admissões. Com isso, 1.631 brasilienses estão desocupados.

O próprio ministro do Trabalho, Manoel Dias, admitiu que o cenário é ruim, mas, contrariando as expectativas dos analistas, projeta uma melhora na geração de empregados no segundo semestre. Conforme ele, investimentos em infraestrutura impulsionaram a contratação de trabalhadores. ;É uma dificuldade que o país passa, o próprio governo reconhece e está tomando as medidas para mudar isso. O ajuste fiscal busca recuperar a capacidade de investimento que levará ao aumento e à capacidade de geração de emprego;, disse.

Efeitos


Para o economista da Universidade de Brasília (Unb) Jorge Arbache, o país não voltará a crescer até 2018, e, sem um ritmo de expansão consolidado, não é possível imaginar vagas abertas no mercado de trabalho. Para ele, o pico de desocupação deve ocorrer no fim de 2016 porque o desemprego é o último indicador da economia que apresenta piora. ;Os empresários sempre relutam em dispensar trabalhadores e só voltam a contratar quando percebem que há espaço para crescimento, geração de renda e de lucro;, comentou.

Arbache detalhou que, historicamente, quando o desemprego aumenta, muitas pessoas buscam refujo na informalidade para garantir renda, seja entre aqueles que foram dispensados, seja entre os que estavam em busca de uma vaga. Além disso, ele explicou que muitos seguem fazendo bicos sem carteira assinada e deixam de buscar um posto formal. ;Isso é um problema. As mudanças propostas pela equipe econômica para arrumar a casa podem ser insuficientes para reverter as expectativas dos agentes. Além do ajuste fiscal, reformas estruturantes em torno da busca de melhores níveis de produtividade e competitividade são necessárias no país. Temos que produzir mais com a mesma mão de obra;, afirmou.

O economista-chefe da Sulamérica Investimentos, Newton Rosa, detalhou, que desde o ano passado, o mercado de trabalho emitia sinais de desaceleração, mas a intensidade com que o desemprego chegou surpreendeu os analistas. Conforme ele, não será surpresa se as taxas de desocupação ultrapassarem as projeções mais pessimistas do mercado. ;O desemprego pode trazer um alívio à inflação porque o setor de serviços, sensível às oscilações de salário, começa a apresentar quedas. Mas vamos encerrar o ano com carestia em alta e menos pessoas ocupadas, o que é sempre ruim para o país;, disse.


  • O emprego sumiu
    Recessão está destruindo postos de trabalho com carteira assinada

    Período Vagas

    Jun/14 25.363
    Jul/14 11.796
    Ago/14 101.425
    Set/14 123.785
    Out/14 -30.283
    Nov/14 8.381
    Dez/14 -555.508
    Jan/15 -81.774
    Fev/15 -2.415
    Mar/15 19.282
    Abr/15 -97.828
    Mai/15 -115.599

    Fonte: Caged/MTE

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