Corrida a bancos na Grécia

Corrida a bancos na Grécia

Apenas na quinta-feira, houve saque de 1 bilhão de euros nas instituições financeiras do país. Autoridade monetária calcula que de outubro de 2014 a abril deste ano já saíram do sistema 30 bilhões de euros

postado em 20/06/2015 00:00

Os gregos estão correndo aos bancos para sacar dinheiro. Somente na quinta-feira, segundo cálculos de fontes bancárias no país, mais de 1 bilhão de euros saíram das instituições financeiras locais. Os correntistas do país temem que, sem o acordo com os credores ; Fundo Monetário Internacional (FMI), União Europeia (UE) e Banco Central Europeu (BCE) ;, o governo tenha que implementar algum tipo de controle de capitais para evitar a fuga do sistema. Pelos cálculos do banco central grego, de outubro de 2014 a abril deste ano, cerca de 30 bilhões de euros já haviam sido sacados. Nesta semana, desde que as negociações ruíram, as retiradas atingiram 4,5 bilhões de euros, segundo fontes bancárias.

A insegurança dos investidores decorre da falta de entendimento do governo do primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, com os credores sobre os ajustes necessários para a retomada da economia do país. O acordo é condição para que Atenas receba a última parte do socorro financeiro de 7,2 bilhões de euros, para quitar dívidas, inclusive a de 1,6 bilhão de euro com o FMI. Sem uma nova injeção de recursos, a Grécia caminha para o default (calote) e até mesmo para uma possível saída da Zona do Euro. Se entrar em default, a Grécia pode se tornar o primeiro membro da região a quebrar e potencialmente sair do bloco de moeda única.

O impasse nas negociações se criou a partir da exigência de que Tsipras elevasse impostos e cortasse gastos, principalmente de aposentadorias, o que, segundo analistas gregos, aprofundaria uma das piores crises do país. Apesar de o encontro do Eurogrupo ; que reúne ministros da Economia e de Finanças da região ; ter acabado sem acordo na quinta-feira, o primeiro-ministro grego insiste no otimismo. Em comunicado, afirmou que ;haverá uma solução que levará a Grécia de volta ao crescimento ao mesmo tempo em que manterá o euro;. Tsipras recebeu bem os planos de uma cúpula de emergência na próxima segunda-feira dos líderes da Zona do Euro. Para ele, ;é um avanço positivo na estrada a caminho de um acordo;. ;Haverá uma solução com base no respeito às regras da UE e à democracia, que permitirá à Grécia retornar ao crescimento no euro.;

Alívio momentâneo

A expectativa de que o encontro de segunda-feira possa render frutos é grande. Para aliviar o sistema financeiro grego, pelo menos até o início da próxima semana, o Banco Central Europeu estendeu uma linha financeira a Atenas. Os valores não foram divulgados, mas especula-se que estejam na casa dos 3 bilhões de euros. O pedido dos gregos era de 3,5 bilhões de euros. A extensão dos fundos de liquidez, no entanto, é uma medida temporária, segundo o vice-presidente da Comissão Europeia (CE), Valdis Dombrovskis. ;É preciso um acordo claro sobre o programa, e uma estratégia clara precisa ser apresentada pelas autoridades gregas, mostrando como elas vão retomar a estabilidade financeira e o crescimento econômico;, afirmou. A medida do BCE fez com que a Bolsa de Valores de Atenas tivesse leve recuperação ontem.

Para tentar estancar a corrida às agências, o banco central grego afirmou que o sistema bancário continua estável, mesmo depois de, na última quarta-feira, ter sinalizado que o futuro do país no euro, e até mesmo na União Europeia, estava ameaçado, caso o acordo não seja fechado até 30 de junho, quando vence a dívida com o FMI.

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