As funções sociais da música

As funções sociais da música

» CLAUDIO COHEN Maestro titular da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro
postado em 20/06/2015 00:00


Sim, a música sinfônica é um êxtase de comunicação, capaz de provocar bem-estar, alegria, felicidade, sensação de completude. Os efeitos da música de tradição clássica no ser humano têm sido estudados nos mais diferentes contextos. Pesquisas mostram que a música pode melhorar a disposição para provas, reduzir a ansiedade em situações estressantes, aliviar sintomas de doenças psicossomáticas, acalmar comportamentos potencialmente agressivos. A música relaxa, pacifica, integra.

Pertencente à Secretaria de Estado de Cultura, a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro, instituição pública, tem proporcionado experiências musicais variadas à sociedade. Por termos consciência desse instrumento apto a iluminar almas e trazer felicidade, diversificamos a nossa atuação buscando incluir parcelas cada vez maiores da população na apreciação da música sinfônica.

Elaboramos uma espécie de menu com diferentes séries de concertos para diferentes públicos em diferentes contextos, respeitando a ideia básica de que a sociedade que nos sustenta é plural, multifacetada e com diferentes necessidades musicais. Foram criados produtos como concertos nos parques, nas regiões administrativas; música em hospitais; concertos didáticos; série pop, balés; Festival de Ópera; Série Concertos de Dom Bosco; além de apresentações ao ar livre.

O trabalho é enorme, poucos podem imaginar o que há por trás da bela performance, mas não poderia ser mais gratificante. Há poucas experiências na vida capazes de se igualar à felicidade expressa no rosto de pacientes em apresentações no Hospital Sarah Kubitschek. É lindo ver aquela gente por um momento esquecer as macas, o soro que as acompanha e as dores do trabalho de recuperação desenvolvido no alto padrão da Rede Sarah e esboçar belo sorriso e tímidos movimentos de corpo em interação com a música que tocamos.

Muitos estudantes, das redes pública e particular, em concertos didáticos têm, pela primeira vez, a experiência de assistir a uma orquestra sinfônica. É maravilhoso ver adolescentes quietos, com olhos surpresos seguindo cada nota musical e reconhecendo cada novo som. Depois, muitos sobem ao palco, abordam músicos, perguntam sobre os instrumentos e deixam a impressão de uma experiência que continuará em suas cabeças, que levarão para a casa, escola e que compartilharão com amigos. As séries Música no Parque e Concertos de Dom Bosco são homenagens singelas que fazemos a Brasília.

Essa mistura de parque, natureza, pôr do sol e música traz alegria, paz de espírito e integração. Nossos concertos ao ar livre são vistos por milhares de pessoas. Neles, fazemos concertos da série Pop, quando trabalhamos com grandes profissionais da música brasileira e de Brasília. Tocar acompanhando nomes consagrados da música popular como Milton Nascimento, Martinho da Vila, Alceu Valença, Toquinho, Ed Motta, Hamilton de Holanda ; para citar apenas alguns ; , representa fusão de linguagens e horizontes, ruptura de barreiras e oportunidade de levar a música de concerto a outros públicos.

Os tradicionais concertos das terças-feiras têm sido de padrão internacional, com sinfonias de altíssima exigência técnica, sempre executadas à altura das demandas da partitura. O reconhecimento da qualidade da orquestra pelo público que, generosamente, sempre aplaude de pé, também ocorre fora daqui. Fizemos concertos na Sala São Paulo, que hospeda a Osesp, e em Campos do Jordão, como parte da programação do Festival de Música Clássica mais importante do país. Em ambos os eventos, as plateias mais exigentes se levantaram para aplaudir a orquestra de Brasília.

A qualidade técnica tem sido elogiada por grandes solistas e maestros que passam por aqui, como João Carlos Martins, Arthur Moreira Lima, Álvaro Siviero e Spok Frevo. Devemos mencionar ainda o Festival de Ópera de Brasília, que temos a intenção de retomar tão logo a Sala Villa-Lobos seja liberada. Nos últimos anos, foram apresentados cerca de 40 eventos operísticos assistidos por aproximadamente 60 mil pessoas. Por tudo isso, a nossa orquestra, em recente pesquisa, obteve a aprovação de mais de 90% do público que frequenta os concertos.

Proporcionar experiência musical de alto nível com significado social, isso é o que nos motiva, a razão principal da nossa existência. Temos seguido nesta temporada no caminho aqui descrito. Despedimo-nos convidando você, leitor, a vir compartilhar essa experiência em nossos concertos semanais das terças-feiras. Até lá.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação