Oposição em choque

Oposição em choque

postado em 20/06/2015 00:00
Meia hora depois de sair da penitenciária militar de Ramo Verde, a cerca de 30km de Caracas, Lilian Tintori contou ao Correio que o marido, o líder opositor e preso político Leopoldo López, ficou ;impactado; com a recepção à comitiva de senadores brasileiros. ;Ele me disse que o que houve foi uma falta de respeito, de democracia e de diplomacia. Ficou muito chocado e pediu que agradecesse aos senadores a tentativa de visitá-lo. Também afirmou estar seguro de que, logo, vão trabalhar juntos em prol da democracia;, relatou, ao telefone, por volta das 18h (19h30 em Brasília). Há 26 dias em greve de fome, López condicionou a suspensão do protesto à libertação de todos os presos políticos. ;Ele está muito debilitado. Não permitiram que o médico o visitasse, nem que ele fizesse os exames;, acrescentou.

Tintori estava no micro-ônibus cercado pelos chavistas e se disse ;impressionada; pelo fato de o governo de Nicolás Maduro não ter fornecido segurança para uma comitiva oficial. ;Quando saíamos do aeroporto, um grupo violento nos atacou e arremessou pedras. Eles pretendiam quebrar os vidros de nosso veículo, para entrar e agredir os senadores.
Passamos um momento horroroso de pânico, de susto e medo;, disse. Segundo ela, tanques foram utilizados para interromper o trânsito na rodovia Caracas-La Guaira, impedindo os senadores de chegarem a Ramo Verde. ;Éramos 18 pessoas, incluindo os oito senadores, e havia apenas dez agentes da Polícia Nacional. Poderia ter ocorrido algo grave.;

Humilhação

Deputada cassada pela Assembleia Nacional, María Corina Machado considerou o incidente ;uma prática totalitária, que feriu a Carta Democrática Interamericana da Organização dos Estados Americanos e as cláusulas do Mercosul;. ;Os senadores estavam revisando um dever, enquanto latino-americanos e membros da OEA, de respeitar e de zelar pela Carta;, observou ao Correio, por telefone. ;Bastaram algumas horas para que eles compreendessem que o que se vive por aqui é uma ditadura;, emendou. María Corina admitiu esperar uma posição firme da presidente Dilma Rousseff e se disse ;segura; de que o Senado brasileiro manterá compromisso com a causa venezuelana. A oposicionista Mesa de
Unidade Democrática (MUD) instou uma ;reação clara e enfática; da mandatária.

Mitzy Capriles ; mulher do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma ; também cobrou uma ;reclamação formal; do Executivo brasileiro. ;Isso humilhou muito os senadores de uma nação irmã, como o Brasil. O governo da Venezuela permitiu que hordas de simpatizantes do governo agredissem e golpeassem ferozmente o micro-ônibus onde estavam os parlamentares;, ressaltou à reportagem, também por telefone. Detido em 19 de fevereiro e atualmente mantido em prisão domiciliar, Ledezma está incomunicável.

Se a oposição reagiu com indignação aos eventos de quinta-feira, a vice-presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Tania Díaz, qualificou de ;ridículo; o argumento de existiria uma ditadura na Venezuela. Em entrevista ao jornal El Universal, a política chavista garantiu que os senadores brasileiros desembarcaram em solo venezuelano após coordenação com o Palácio de Miraflores. Ela também acusou os parlamentares de desejarem ;torpedear; as relações entre Brasília e Caracas. (RC)

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação