Governadora quer a pena de morte

Governadora quer a pena de morte

Dylann Roof, o autor da chacina de negros numa igreja da Carolina do Sul, assume a autoria do crime, que entra no debate entre os pré-candidatos à sucessão de Obama

postado em 20/06/2015 00:00
 (foto: Brendan Smialowski/AFP)
(foto: Brendan Smialowski/AFP)

Bandeiras em contraste

Em meio à comoção pelo massacre de nove afro-americanos em Charleston, ativistas criticaram o fato de a bandeira dos estados confederados (escravistas, durante a guerra civil de 1865-1869) ter permanecido hasteada no topo do mastro, diante da sede do governo da Carolina do Sul. A bandeira dos Estados Unidos e a do estado foram baixadas a meio mastro, em sinal de luto. O emblema confederado, originalmente representativo dos estados que se rebelaram contra Abraham Lincoln por ter abolido a escravidão, simboliza até hoje a simpatia pela segregação racial, em especial nos estados sulinos.




O jovem Dylann Roof, 21 anos, pode ser condenado à morte pelo assassinato de nove pessoas durante o ataque contra uma igreja da comunidade negra em Charleston, na Carolina do Sul. A pena capital foi pedida pela governadora Nikki Haley. Roof, que assumiu a autoria do crime, compareceu ontem a uma audiência acompanhada por familiares das vítimas do massacre. Em paralelo ao trabalho das autoridades estaduais, o FBI (polícia federal dos Estados Unidos) investiga o caso e trabalha com a hipótese de ;terrorismo doméstico;. O episódio deve permear o debate entre os pré-candidatos à Casa Branca na eleição de 2016 ; eles já começaram a abordar temas como a proibição do porte de armas e a persistência do racismo no país.

O presidente Barack Obama voltou a mencionar o caso durante evento em São Francisco, na Califórnia, e reiterou a defesa de uma lei que restrinja o acesso de civis a armas de fogo. ;Tenho fé em que vamos acabar fazendo a coisa certa. Você não vê assassinato nessa escala e com essa frequência em nenhuma outra nação avançada;, argumentou. A questão do porte de armas foi abordada também pelo presidenciável democrata Martin O;Malley, em mensagem enviada aos apoiadores.

Rick Perry, ex-governador do Texas e postulante à candidatura republicana, classificou o massacre de Charleston como um ;acidente; e acusou Obama de aproveitar o momento para fazer pressão política, segundo informações do jornal The Dallas Morning News. Ao contrário de Perry, outros republicanos lamentaram o incidente. Ben Carson, o único negro a disputar a indicação pelo partido opositor, chamou a atenção para ;o ódio e as divisões; no país.



Do lado democrata, Hillary Clinton destacou a necessidade de uma conversa franca sobre racismo e ódio. A ex-primeira-dama e pré-candidata alertou para a responsabilidade de figuras públicas ao fazerem comentários capazes de incitar ações violentas. ;Discursos públicos são algo mais negativo do que deveria ser e podem, na minha opinião, alterar alguém que não seja estável;, considerou, em entrevista. O comentário foi interpretado pela imprensa americana como um ataque ao milionário Donald Trump, pré-candidato republicano, famoso por declarações polêmicas.

;Guerra racial;

De acordo com o relato de autoridades à rede de televisão CNN, Dylan Roof teria afirmado que sua intenção, com o ataque, era iniciar uma ;guerra racial;. Pessoas próximas a Roof relataram que o jovem era favorável à segregação dos negros. A pistola usada nos ataques teria sido presente do pai, no aniversário de 21 anos do jovem. O pai e um tio tomaram a iniciativa de denunciar Dylan como autor do massacre.

O juiz James Gosnell estabeleceu o dia 23 de outubro para que o jovem compareça à Corte. O magistrado fixou fiança de US$ 1 milhão por porte de arma de fogo, mas afirmou não ter autoridade para determinar um valor para que o acusado possa responder em liberdade às nove acusações de homicídio. Segundo a tevê CNN, a fiança para esse tipo de delito tem de ser determinada por uma corte de apelação.

A imprensa americana relatou que Roof respondeu às perguntas das autoridades em voz baixa e manteve os olhos voltados para o chão quando familiares das vítimas se pronunciaram. Apesar do momento de dor, muitos afirmaram perdoar o jovem. A governadora Nikki Haley, porém, indicou que insistirá na pena capital. ;Este estado está ferido pelo fato de nove pessoas inocentes terem sido mortas. Vamos querer absolutamente que ele receba a pena de morte;.
Em nota, o governo brasileiro condenou o ;odioso ataque; contra a igreja de Charleston e reiterou o ;mais absoluto repúdio a qualquer forma de racismo;.


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