Aula grátis com um mestre

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Guitarrista, pianista, professor e entusiasta da tecnologia, Stanley Jordan se apresenta de graça, amanhã, no Parque da Cidade, ao lado de outras atrações

Samir Mendes
postado em 20/06/2015 00:00

Nascido em Chicago, Illinois, em 1959, Stanley Jordan é um dos mais inventivos guitarristas contemporâneos de jazz fusion. Precursor de uma técnica chamada tapping, na qual utiliza as duas mãos no braço do instrumento para tocar, ampliando as possibilidades rÍtmicas e harmônicas, o americano de 55 anos se apresentará na capital amanhã, a partir das 20h45, ao lado do baixista Dudu Lima, como parte do Festival BB Seguridade de Blues, que acontecerá no Parque da Cidade.

A parceria com um músico brasileiro não é novidade na carreira de Jordan, que começou aos 6 anos com o piano. Além de Dudu, com quem tocou já em 2012 no disco Dudu Lima Trio ; ao vivo no Cine Theatro Central com o também brasileiro Ivan ;Mamão; Conti, parcerias já foram feitas com o guitarrista Armandinho, o bandolinista Hamilton de Holanda, entre outros. ;Como estudante de jazz, sempre senti uma forte conexão com a música brasileira. Sentimento que só aumentou quando comecei a visitar o país;, afirmou, em entrevista ao Correio.

A paixão pela música brasileira já o trouxe ao Brasil em diversas ocasiões, inclusive à capital, onde se apresentou pela última vez em 2012, na Associação Médica de Brasília. ;A capital do Brasil me lembra muito Washington. Um centro político com arquitetura moderna, culturalmente bem diversificada;, disse.

Vencedor de um Grammy e autor de um álbum (Magic touch, 1985) que ficou 51 semanas na primeira posição da parada de jazz da Billboard ; um recorde ;, Jordan, além de bem-sucedido, é, literalmente, um aprendiz e um explorador da arte. Em 1981, ele recebeu um diploma de bacharel em música pela Universidade de Princeton. Além do jazz, o americano aprecia o bom e velho rock;n;roll, já tendo feito versões para músicas de Beatles, Led Zeppelin e até de Katy Perry.

O americano, que também procura passar seu imenso conhecimento para jovens músicos por meio de clínicas e palestras, tem interesses que vão além dos palcos. Ele é apaixonado por tecnologia e nutrição. Confira, ao lado, a conversa que o Correio teve com Stanley Jordan sobre esses e outros assuntos.



O que a música brasileira representa na sua carreira?
Como estudante de jazz, eu tive contato com a música brasileira desde muito jovem. Sempre escutei muita bossa-nova e samba, ritmos dos quais o jazz tira inspiração. Essa conexão se fortaleceu quando eu comecei a visitar o Brasil e percebi que a paleta cultural era muito maior e mais rica do que eu conhecia. Como um músico que gosta de explorar novas sonoridades, acredito que o estudo da música brasileira tenha me ajudado a fazer progresso nesse objetivo.

Quais são as suas melhores recordações de tocar no Brasil e na capital?
Eu me lembro de tocar em uma favela no Rio de Janeiro e as crianças me receberem com um cartaz escrito ;Bem-vindo, Stanley;. As pessoas me perguntaram se eu não fiquei com medo do local, mas eu só senti amor. Lembro também uma ocasião em que toquei em Olinda com outros músicos no meio da rua. Foi uma experiência musical especial. Já Brasília me lembra Washington. A arquitetura é muito interessante, moderna. O visual, o cerrado, a terra vermelha, tudo parece tão rico e moderno.

O que o público pode esperar deste show?
Em minhas visitas ao Brasil, o Dudu Lima sempre costuma tocar com a minha banda, meu repertório. Dessa vez, eu serei convidado dele, então a questão do set list ficará por conta dele e do seu grupo. Tenho certeza, porém, de que tocaremos muito material da minha discografia e algumas versões de clássicos do rock.

Você acredita que a arte de tocar guitarra sofreu com a ascensão de ritmos como o hip-hop e o pop, que utilizam batidas e recursos eletrônicos?
A guitarra hoje, definitivamente, não ocupa uma posição de destaque no mainstream da música. Porém, eu não me preocupo com o seu futuro porque sei que há toda uma geração de jovens guitarristas começando a aparecer e produzir excelentes trabalhos. Há uma tendência hoje em dia de ritmos se cruzarem e se misturarem e a guitarra encontrará o seu lugar.

Por ser um músico de jazz, mas também explorar sonoridades pop, sofreu algum
tipo de dificuldade no começo da carreira por essa indefinição de identidade?
Sim, um professor me disse que eu estava querendo tocar diversos estilos de uma vez só e que, musicalmente, isso não era um problema, mas, do ponto de vista de me vender como um artista, as gravadoras e selos não iriam saber como me rotular para o mercado. Eu concordei com ele até certo ponto; no entanto, eu fico feliz de ter seguido esse caminho, pois, como eu disse, hoje é normal um mesmo artista explorar diversos estilos, e eu gosto de pensar que influenciei um pouco essa tendência.

Quais são os seus novos projetos?
Além de ter lançado o álbum Duets, com Kevin Eubanks, neste ano, eu estou trabalhando em um novo álbum que teria B.B. King como convidado. Lembro de uma vez que fui assisti-lo tocar no Brasil e eu parecia uma tiete, seguindo ele por toda a parte. Enfim, éramos para ter gravado no ano passado, mas ele adoeceu e, infelizmente, nunca se recuperou. Entretanto, vou terminar este álbum e arrumar uma maneira de honrar o trabalho e a vida do Sr. King.



Festival Seguridade BB de Jazz e Blues
Hoje e amanhã, a partir das 16h. Parque da Cidade.Estacionamento 4. Entrada franca
Mais informações: 3225-2451 e 3223-0702


Hoje
16h O Bando
17h45 Hamilton de Holanda
19h15 Blues Etílicos
20h45 Zelia Duncan

Amanhã
16h Have Dream (street dance)
16h45 DJ Ezy Fichel
17h45 Esdras Nogueira (Projeto Capivara)
19h15 Nuno Mindelis
20h45 Stanley Jordan e Dudu Lima

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