Uma outra história do Brasil

Uma outra história do Brasil

postado em 20/06/2015 00:00
 (foto: Editora Nova Fronteira)
(foto: Editora Nova Fronteira)





;Quem furta pouco é ladrão/Quem furta muito é barão/Quem mais furta e esconde/Passa de barão a visconde;. Os versos de um compositor anônimo do início do século 19 ao comentar a chegada da família real portuguesa ao Brasil são exemplares da verve e da agudeza da música popular em fazer uma crônica dos principais fatos políticos da história da república no Brasil. Não constituem uma exceção; na verdade, por meio da canção é possível leu ou ouvir uma verdadeira história não oficial brasileira, uma história popular, que desmonta a impostura e as ridicularias do poder com muito humor e ironia. O que havia sido insinuado em outras obras ganha agora uma pesquisa ambiciosa com Quem foi que inventou o Brasil; A música popular conta a história da República ; (Ed. Nova Fronteira) , de Franklin Martins.

O volume 1 abarca o período de 1902 a 1964, inclui 473 canções, mas estão previstos mais dois tomos. No segundo, ganham destaque 310 composições que versam sobre os 21 anos de ditadura militar, instaurada a partir de 1964. O terceiro volume abordará 330 gravações sobre o período de 1975 a 2003. A história da república é contada e cantada em 1.100 fonogramas.

Existem uma série de circunstâncias históricas que explicam o florescimento da verve popular na canção. De maneira semelhante a que tivemos uma constelação de escritores nos jornais desde a criação da Gazeta de Notícias, o primeiro jornal brasileiro, em 1808, a música popular se desenvolveu, quase simultaneamente, com o advento da República em 1889 e com o nascimento da indústria fonográfica, que teve as primeiras gravações em 1902, pelo tcheco Fred Figner, da Casa Edison, no Rio de Janeiro. O teatro de revista e o carnaval foram duas fontes inspiradoras da musa popular a se voltar para os fatos da política, lembra Franklin na introdução do livro.

A chegada da corte portuguesa ao Brasil, a campanha da vacina obrigatória, a morte do Barão do Rio Branco, Antônio Conselheiro, a Revolução de 30, a ditadura de Getúlio Vargas e a saga da construção de Brasília: nada escapa à verve da musa popular. Quem foi que inventou o Brasil? não é um amontado de fatos desconexos. Tudo é contextualizado com a clareza de uma marchinha ou de um samba. A obra alia o rigor da pesquisa história à leveza de uma estrutura de almanaque. Todas as canções podem ser ouvidas no site: www.quemfoiqueinventouobrasil.com. (SF)



Quem foi que inventou o Brasil?
Franklin Martins/Ed. Nova Fronteira. 635 páginas

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