Líderes adotam cautela ao comentar denúncias

Líderes adotam cautela ao comentar denúncias

Governistas dizem que é preciso aprofundar investigações. Com senador tucano na lista de empreiteiro, oposição evita subir o tom das críticas e sai em defesa de Aloysio Nunes

ANDRÉ SHALDERS PAULO DE TARSO LYRA
postado em 27/06/2015 00:00
 (foto: Bruno Peres/CB/D.A Press - 9/4/14)
(foto: Bruno Peres/CB/D.A Press - 9/4/14)

O vazamento de informações atribuídas à delação premiada do empreiteiro Ricardo Pessoa, presidente da UTC, foi recebido com cautela pela maioria das lideranças do Congresso Nacional. Da oposição à base do governo, os parlamentares preferiram a parcimônia ao comentar a lista de políticos acusados de terem recebido doações de campanha que, segundo Pessoa, tiveram origem em recursos desviados da Petrobras. Mesmo porque os recursos abasteceram campanhas não apenas de petistas, mas de ao menos um senador da oposição: Aloysio Nunes (PSDB-SP).

Os deputados e senadores ouvidos pelo Correio disseram que é preciso aprofundar as investigações antes de formar um juízo de valor sobre as declarações de Pessoa, na delação homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). ;Temos que tomar cuidado para não cometer algum tipo de injustiça. Se for doação legal, não tem problema. Mas, como não temos a exata noção do teor da delação, não sabemos o que é legal e o que é ilegal, tampouco se existe algo ilegal nas doações oficiais;, disse o líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS).

Posição similar foi manifestada pelo líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE). ;É preciso apurar para saber, em primeiro lugar, o que foi doação oficial e o que foi caixa dois. E, depois, é preciso separar ainda a doação legítima daquela que foi feita sob coação, ou que foi feita a partir do envolvimento no esquema do petrolão;, disse. ;Como ainda não tive acesso (à delação de Pessoa), prefiro não tecer maiores comentários.;

O petista Paulo Teixeira (SP) saiu em defesa dos correligionários apontados como beneficiários do esquema. ;Delação premiada é como aquele tiro ao alvo de festa junina, com espingarda de rolha e uns patinhos de borracha. O cara sai atirando para ver se derruba alguém. Entrega a mãe, entrega o pai, o avô. Tudo para se ver livre da cadeia. Agora, ele (Pessoa) tem que provar que houve crime. Se não provar, de nada vale a delação.;

Já o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), disse que as ;informações merecem toda atenção e devem ser analisadas criteriosamente e com serenidade frente a gravidade que elas podem ter no quadro político nacional. O parlamentar ainda saiu em defesa do colega Aloysio Nunes. ;São doações ocorridas dentro da legalidade e integralmente declaradas à Justiça Eleitoral;, afirmou.

O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), reforçou a importância da delação de Pessoa, mas também defendeu o colega de bancada. ;Todas as delações são importantes para esclarecer as denúncias de corrupção na Petrobras. Tudo que for dito precisa ser investigado, e os citados, caso sejam comprovadas as irregularidades, deverão ser punidos. Tenho plena confiança de que o senador Aloysio Nunes poderá esclarecer se houve ou não algum tipo de doação da UTC;, disse.


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