Grécia fará referendo sobre ajuste

Grécia fará referendo sobre ajuste

postado em 27/06/2015 00:00
 (foto: Emmanuel Dunand/AFP)
(foto: Emmanuel Dunand/AFP)
Os credores da Grécia propuseram ontem ao país a extensão por cinco meses do programa de ajuda, com um novo financiamento de 12 bilhões de euros, e pressionaram o governo para que aceite um acordo neste fim de semana. O país precisa pagar 1,6 bilhão de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI) na próxima terça-feira; do contrário, entrará em default (moratória). A chanceler alemã, Angela Merkel, recomendou à Grécia aceitar essa ;oferta excepcionalmente generosa; dos credores, que pedem em troca um amplo programa de ajustes fiscais e reformas.

Ao governo grego, a oferta não pareceu vantajosa, porém. O primeiro-ministro do país, Alexis Tsipras, rejeitou os ;ultimatos e chantagens na União Europeia;, ressaltando que, ;nessas horas cruciais, ninguém tem o direito de colocar em risco os princípios constitutivos do bloco (europeu);.

Apesar de sua oposição, ele anunciou em rede nacional de TV hoje à 1h (19h de ontem em Brasília) que fará um referendo no país em 5 de julho para que a população resolva se quer ou não se submeter às condições propostas. ;O povo deve decidir se aceita chantagens;, afirmou. Em seguida ao pronunciamento, várias pessoas foram aos caixas eletrônicos sacar euros, com medo de o país deixar a moeda comum europeia. Houve filas na madrugada.

Tsipras, Merkel e o presidente francês, François Hollande, se reuniram rapidamente ontem de manhã, segundo dia de uma reunião de cúpula europeia. Merkel afirmou em entrevista a jornalistas que ela e Hollande aconselharam o governo grego a ;aceitar a oferta;.

;Não houve um ultimato;, disse o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, em entrevista. ;Os gregos expressaram divergências, mas é evidente que haverá uma negociação. Não é uma situação para pegar ou largar, é uma base de negociação;, acrescentou. Os ministros da Economia da Zona do Euro, o Eurogrupo, se reunirão novamente hoje, em Bruxelas.

Uma fonte do governo grego afirmou que o plano proposto pela União Europeia (UE), pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelo FMI, os credores do país, em troca de reformas ;não pode ser aceito; porque contém medidas ;recessivas; e um programa de financiamento de cinco meses ;totalmente insuficiente;.

Se houver acordo nas bases do plano apresentado, será a terceira prorrogação desde dezembro de um gigantesco pacote de ajuda de 240 bilhões de euros. Os 12 bilhões seriam colocados à disposição por etapas, à medida que a Grécia adote medidas com que deverá se comprometer.

As obrigações incluem reformas e ajustes fiscais, em particular das aposentadorias e do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), além de uma série de privatizações e cortes nos gastos de defesa. Apesar das divergências, os gregos confiam em um acordo



Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação