Europa e EUA se blindam

Europa e EUA se blindam

Espanha e Itália aumentam o alerta contra ataques extremistas. Governo britânico mantém nível severo de risco. Washington teme atentados durante o 4 de julho

» RODRIGO CRAVEIRO
postado em 27/06/2015 00:00
 (foto: Thomas Oliva/AFP )
(foto: Thomas Oliva/AFP )


O medo tomou conta da Europa e dos Estados Unidos, depois da decapitação de um homem em Lyon (França) e dos atentados em Sousse (Tunísia) e na Cidade do Kuwait. Pela primeira vez desde os atentados de 11 de março de 2004 ; quando explosões no metrô de Madri deixaram 192 mortos e 1.858 feridos ;, a Espanha elevou o nível de alerta antiterrorista de 3 (risco médio) para 4 (risco alto), o penúltimo. ;Estamos em uma guerra da barbárie contra a civilização;, disse o ministro do Interior espanhol, Jorge Fernández Díaz.

O Reino Unido, que perdeu pelo menos cinco cidadãos no ataque ao resort do Mar Mediterrâneo, manteve o nível ;severo;, uma indicação de alta probabilidade de ato terrorista. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, classificou os ataques de ;deploráveis; e convocou uma reunião do chamado ;gabinete de emergência Cobra;. ;Isso é uma ameaça enfrentada por todos nós. Esses eventos ocorreram na Tunísia e na França, mas poderiam ter sido em qualquer lugar. Nós todos enfrentamos essa ameaça;, salientou o premiê. A Itália também elevou o alerta para o terceiro nível mais alto.



;Nenhum país está imune, aumentamos o nível para ressensibilizar aquelas unidas encarregadas de proteger locais críticos;, disse o ministro do Interior, Angelino Alfano. ;Hoje (ontem), vimos três ataques, com dezenas de mortos, realizados em três diferentes locais do mundo, ligados por uma única coisa: a violência e o terror;, acrescentou.
Na França, o primeiro-ministro Manuel Valls ordenou o reforço de segurança em todos os locais ;sensíveis;, principalmente na região administrativa de Ródano-Alpes ; cuja capital é Lyon. Em entrevista à emissora de tevê TF1, o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, confirmou que o país enfrentava uma ameaça ;extremamente alta; e denunciou o ;livre acesso ao terrorismo;, alimentado pelo tráfego de dados na internet e por uma propaganda ;extraordinariamente sofisticada; de facções islâmicas.

Paris vivia ontem sob tensão e desconfiança. Alvo de um ataque contra a revista satírica Charlie Hebdo, em 7 de janeiro passado, a capital francesa recebeu intenso patrulhamento de soldados. A jornalista Bianca Vitali, 35 anos, paulista radicada em Brasília desde 2010, desembarcou na Cidade-Luz no último sábado e contou ao Correio que a Torre Eiffel estava isolada. ;Todos os dias que estivemos aqui, vimos grupos de três soldados armados com metralhadoras. A Torre Eiffel foi cercada pelo Exército;, relatou a brasileira, que está hospedada em um bairro de maioria muçulmana. ;A livraria ao lado do apartamento que alugamos ficou fechada o dia todo, sem qualquer aviso na porta. Acredito que eles temam uma represália;, disse, ao admitir que o clima era ;pesado;.


"Estamos em uma guerra da barbárie contra a civilização;
Jorge Fernández Díaz, ministro do Interior da Espanha


Nos EUA, uma nota conjunta do Departamento de Segurança Interna, do FBI ; a polícia federal americana ; e do Centro Nacional de Contraterrorismo advertiu sobre o risco de atentados ligados ao Dia da Independência, em 4 de julho, em reação à suposta difamação do profeta Maomé.

Para Magnus Ranstorp, especialista em terrorismo pelo Colégio de Defesa Nacional da Suécia, não existe meios de impedir novos atentados. ;É impossível manter a vigilância 24 horas por dia sobre todos os suspeitos. Além disso, cerca de 1,4 mil cidadãos franceses se alistaram ao Estado Islâmico, incluindo 200 mulheres. Ao menos 5 mil muçulmanos na França são considerados uma ameaça.;

Professor de relações internacionais e membro do Grupo de Análise de Conjuntura Internacional da Universidade de São Paulo (Gacint-USP), Alberto Pfeifer concorda que a elevação do nível de alerta antiterror é insuficiente para impedir atentados. ;No entanto, essa medida aumenta o foco e a concentração de esforços para que os setores governamentais dediquem mais recursos, tempo e pessoal para esse tipo de ação;, observa. Além de a polícia, a Imigração e a patrulha rodoviária intensificarem a vigilância em relação a muçulmanos radicalizados, o serviço de inteligência ganharia um poder mais intrusivo. ;Apesar de transmitir à população a noção de que as autoridades estão atentas, isso incute nas pessoas a sensação de perigo e de risco.;


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