Elas também querem o comando

Elas também querem o comando

VÍTOR DE MORAES
postado em 27/06/2015 00:00
 (foto: Reprodução Facebook
)
(foto: Reprodução Facebook )

Em maio, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, lamentou por considerar o futebol muito ;macho; e rogou pelo aumento de mulheres em cargos influentes. Atualmente, há apenas uma mulher no Comitê Executivo da Fifa, Lydia Nsekera. O pedido de Blatter cai como uma luva no Brasil. No país do futebol, há somente uma presidente nas quatro divisões do campeonato nacional.

A primeira representante feminina na cadeira mais importante de um clube foi Marlene Matheus. Em 1991, ela foi pioneira no Corinthians, sucessora do marido, Vicente Matheus. Recentemente, em 2010, Patrícia Amorim assumiu o posto, mas deixou o Flamengo coagida, dois anos depois. À época, em entrevista ao jornal O Globo, Patrícia diz ter recebido ;60% das críticas por ser mulher;.

Uma varredura nos 40 clubes das séries A, B, C e D mostra um panorama do futebol brasileiro: Myrian Fortuna é a única representante feminina no cargo mais alto. Com 138 votos dos 178 eleitores, Myrian e sua chapa assumiram a presidência do Tupi-MG no fim de 2013. Nutricionista da equipe profissional há nove anos, Myrian também é irmã do ex-presidente, Áureo Fortuna.

No blog da campanha, ela é apresentada como ;administradora experiente, idealista e determinada.; Mas a mandatária admite a importância do sobrenome para ter conseguido a indicação à chapa pelo conselho deliberativo. ;O trabalho do Áureo foi muito bom, há credibilidade pelo nome, isso tudo influencia. Mas ele mesmo falava que não queria que eu fosse candidata, que eu teria problemas;, conta.

Patricinha

O início não foi mesmo fácil. Nem o parentesco com o ex-presidente livrou Myrian de ouvir comentários indesejados. No entanto, ela assegura, nada que a tirasse do sério. ;Tive muita rejeição. Não acreditavam na boa condução do clube. Mas não ouvi nada realmente desrespeitoso.;

Essa foi uma das reclamações de Patrícia Amorim quando conduzia o Flamengo. Além de ironias, a ex-presidente do clube da Gávea reclamava ser tratada com excesso de gentileza. ;Tem o tom pejorativo das críticas. É Patricinha, presidente do parquinho. Por que não falam presidente do CT? Sou presidente do Flamengo, o maior clube do Brasil;, disse ao jornal carioca.

Algumas das vozes de apoio a Myrian partiram dos jogadores. Os anos de convívio com os atletas, em viagens, criaram uma relação de respeito e admiração pela nova chefe. Além de disposição e desejo de encarar o ambiente dominado por homens, Myrian aponta vocação como requisito. ;A mulher tem muita força de vontade, conhecimento. Em todos os setores há presença feminina; no futebol, isso vai crescer;, aposta.

Fora do grupo
Na luta por uma vaga na primeira divisão gaúcha, o Riograndense, que não disputa o Campeonato Brasileiro, elegeu Lisete Frohlich para a presidência do clube.

Saiba mais
Exemplo europeu
Há pouco tempo, a Itália tinha duas mulheres na presidência de clubes tradicionais. Francesca Menarini ocupou o cargo no Bologna, entre 2006 e 2010. Rosella Sensi foi a segunda dona da cadeira da Roma, em 2008. Cinco anos depois, o ex-jogador Gattuso, que fez história no Milan, polemizou. ;Eu não consigo ver mulheres no futebol;, disse a uma rádio italiana.


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