PM morre após cirurgia no pulso

PM morre após cirurgia no pulso

» BERNARDO BITTAR
postado em 30/06/2015 00:00
 (foto: Reprodução WhatsApp)
(foto: Reprodução WhatsApp)

A morte do policial militar Rafael Antunes Viana, 32 anos, permanece um mistério. Os familiares duvidam da versão oficial, de que ele sofreu um choque estrutural anafilático após uma cirurgia, e denunciaram o caso ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Há uma semana, o soldado, que estava em um treinamento a serviço, caiu da moto ao parar diante de uma faixa de pedestres. Fraturou o pulso e passou por uma operação no Hospital Santa Helena (516 Norte). Com as complicações da intervenção, Rafael teve parada cardíaca e embolia cerebral. Morreu por volta das 11h de domingo.

A viúva, que é enfermeira, está inconformada. ;Impossível que um paciente jovem como ele tenha morrido sem mais nem menos, após realizar um procedimento relativamente simples;, queixou-se Carla Antunes. Ela e o marido se mudaram para Brasília depois que ele passou no concurso da Polícia Militar. Ele havia se formado no curso preparatório para assumir a função há dois meses.

Um dos motivos da desconfiança de suposta negligência é a demora na liberação do corpo, que permaneceu por quase 24 horas retido no Santa Helena, segundo Carla. ;Quanto mais você demora para fazer a autópsia, fica mais difícil ver se houve algum erro;, alegou. Para ela, a memória do marido deve ser honrada e respeitada. ;Recebi essa notícia com muita tristeza. Vou fazer jus ao homem bom que ele foi e me empenhar em descobrir tudo o que puder.;

A mãe do policial, Lita Antunes, disse que os familiares aguardarão o laudo da causa da morte, a ser divulgado pelo Instituto de Medicina Legal (IML), para registrar ocorrência sobre o caso. ;Nunca esperei enterrar um filho;, disse ao Correio, por telefone, de Minas Gerais, onde mora.

Em nota, a Polícia Militar informou que o soldado trabalhava no momento em que sofreu o acidente. Ele participava de um treinamento da corporação, para se especializar e se qualificar para trabalhar no Grupo Tático Móvel (Gtam) de motociclistas. No site oficial, a PM lamentou a morte de Rafael, afirmando que o corpo será enviado para Águas Vermelhas, em Minas Gerais, aos cuidados da família.

Pilotar motocicletas era parte do treinamento da vítima, que pilotava uma delas, de propriedade da polícia, quando parou em uma faixa de pedestres, desequilibrou-se e caiu. Como apoiou a mão no chão, lesionou o punho esquerdo. Ainda por causa do acidente, ficou com o joelho direito ferido. Segundo a PMDF, ;os integrantes do 2; BPM (Batalhão de Polícia Militar do qual Rafael fazia parte) insistiram para que ele fosse até o hospital fazer uma radiografia do pulso;.

O exame constatou uma fratura. Um dos médicos do Santa Helena teria achado necessário, ainda conforme informações da polícia, que fosse marcada uma cirurgia para o dia seguinte, quarta-feira, 24 de junho, para colocar o osso no lugar. ;O policial chegou consciente, orientado e até fez fotos;, informou a assessoria de Comunicação da corporação. No endereço, ele foi submetido a uma cirurgia no braço, que teria sido considerada um sucesso.

No fim do procedimento, no entanto, Rafael sofreu uma parada cardíaca. Os médicos não conseguiram reanimá-lo com total êxito, e ele começou a apresentar convulsões. Foi preciso entubá-lo para que o quadro ficasse mais estável, mas isso não funcionou, pois Rafael teria até perdido os estímulos neurológicos. O soldado ainda passou dois dias internado na unidade de tratamento intensivo (UTI), mas não resistiu.

Análise
Em nota, o Hospital Santa Helena informou que ;o procedimento cirúrgico do paciente Rafael Antunes Viana cumpriu todas as etapas do protocolo de cirurgia segura. A equipe médica especializada necessária, bem como os recursos materiais, foram disponibilizados;. O óbito será analisado, ainda segundo o documento, em Comissão de Óbitos (CO), conforme orientação do Conselho Federal de Medicina (CFM).

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