A avalanche streaming

A avalanche streaming

Novos serviços chegam ao país e reforçam o crescimento exponencial do fluxo de mídia

Adriana Izel Rebeca Oliveira
postado em 30/06/2015 00:00







O mercado de distribuição e de compra de música pela internet durante muito tempo foi dominado pelo iTunes, da Apple. No entanto, muitos usuários abandonaram o modelo por considerar sua média de preço (cerca de US$ 9 por álbum) um valor muito alto se comparado ao que poderiam usufruir assinando serviços de streaming que fazem exatamente o mesmo, mas cobrando pouco ; ou, em alguns casos, nada ; dos consumidores. A partir de hoje, o imbróglio começará a ser resolvido: mais de 100 países passam a contar com o Apple Music, o streaming da marca.

A entrada da gigante americana promete mexer com as estruturas do mercado musical de streaming, um formato que ; acreditam alguns artistas, empresários e produtores ; pode livrar o entretenimento da pirataria. A Apple Music engrossa a lista de opções de onde já despontam nomes como o Spotify, Deezer, Rdio e Last.fm, para citar exemplos apenas na cena musical.

Embora representem 28% de todo o consumo de música para a maioria das pessoas no Brasil (contra 76,4% do rádio, segundo dados do instituto de pesquisa on-line Opinion Box), lá fora, o streaming passa, diariamente, a se consolidar e crescer de forma exponencial. Em alguns segmentos, surge como uma das principais ferramentas de consumo cultural. Nos Estados Unidos, por exemplo, uma análise do grupo FBR Capital Markets divulgada na semana passada apontou que a audiência da Netflix, responsável por séries como House of cards, deverá ultrapassar a de todas as redes de televisão dos Estados Unidos.

;Acho que estamos vivendo um momento de transição entre plataformas e formas de consumir conteúdo. A modernização de hardware e o aumento na qualidade dos serviços de streaming indicam que essa forma de consumo só ira ganhar cada vez mais mercado;, destaca o especialista em mídia digital e consultor em comunicação digital, Celso Fortes.

Propaganda inusitada
Estratégia de marketing ou debate genuíno, a briga entre Taylor Swift e a Apple Music colocou em evidência o mais novo serviço de streaming disponível no mercado. No início da semana passada, a cantora publicou uma carta aberta à gigante do setor onde explicava as razões para não submeter o álbum 1989 ; o disco mais vendido de 2014 e, até agora, o de 2015 ; para audição na plataforma. ;Nós não pedimos iPhones de graça a vocês. Por favor, não nos peçam para abastecermos vocês com nossa música sem nenhuma compensação;, alfinetou a cantora pop mais importante do momento.

Por considerar ;chocante e decepcionante; a atitude da empresa de não pagar aos artistas seus royalties durante os três primeiros meses, quando os assinantes têm direito aos discos e faixas de forma gratuita, Taylor Swift decidiu não se associar à empresa de telecomunicações. Após a Apple rever a política de pagamento, a artista voltou atrás e elogiou a empresa pela mudança de opinião. O debate acendeu polêmicas, como a teoria conspiratória de que tudo não passava de um golpe publicitário.

São muitas as promessas da Apple Music. Entre elas, a de igualar novos artistas e celebridades por meio de algumas ferramentas. Uma delas atende pelo nome de New, e tem como premissa apresentar novos sons aos ouvintes. O acervo também aceitará músicas de artistas independentes. ;É preciso conhecer melhor as condições que cada serviço vai impor. Afinal de contas, não existe almoço grátis. Mas pode ser uma oportunidade;, avalia o cantor brasiliense de MPB Kelton Gomes, que costuma lançar os discos em plataformas virtuais.

Concorrência
Diante da ameaça da gigante americana, a concorrência tem se armado e anunciado novidades. Ao Correio, Mathieu Le Roux, diretor-geral da Deezer na América Latina, afirmou que a plataforma fechou parceria com uma empresa americana para oferecer música em altíssima qualidade, equivalente a sonoridade do vinil, para seus assinantes. Segundo o empresário, a Deezer não se sente ameaçada com o mais poderoso concorrente.

;Se a Apple decidiu entrar nesse mercado de streaming é porque existem muitas oportunidades. Isso é muito bom! No mundo, pouco mais de 40 milhões de pessoas assinam serviços de streaming, enquanto 2 bilhões escutam música. Ou seja: há muito espaço;, alegou. ;O streaming ainda é um modelo muito novo e por isso alguns artistas ainda questionam a solução;, avalia, sobre a briga entre Taylor e a Apple.

Esse mês, também chegam em terras tupiniquins o Tidal, adquirido pelo rapper Jay-Z por US$ 56 milhões. Apesar de, na masterização sonora, a plataforma ser três vezes superior ao principal concorrente, o Spotify, o custo de R$ 30 pelo pacote mensal tem assustado os possíveis assinantes. No mercado americano, a empresa enfrenta crises que nem o marido de Beyoncé poderia prever. Não bastou um elenco estrelar (como Madonna, Calvin Harris, Kanye West e Rihanna) para livrá-lo dos 99 problemas que enfrenta, brinca a mídia local fazendo referência ao famoso hit do rapper.

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