Prenúncio de calote grego derruba bolsas

Prenúncio de calote grego derruba bolsas

Sem acordo com os credores, autoridades de Atenas avisam que não pagarão dívida com o FMI, e o mercado de capitais despenca no mundo todo. Expectativa é que default afugente investidores dos ativos de risco. Standard & Poor%u2019s reduz nota do país

Rosana Hessel
postado em 30/06/2015 00:00
 (foto: Louisa Gouliamaki/AFP)
(foto: Louisa Gouliamaki/AFP)




Os mercados estão com os olhos voltados para a Grécia. Hoje é o Dia D para o calote de Atenas junto aos credores internacionais, o que pode culminar com a saída do país da Zona do Euro ou até mesmo da União Europeia, na avaliação dos especialistas.

Autoridades gregas avisavam que o país não pagará a parcela de 1,6 bilhão euros devidos ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e cujo prazo vence nesta terça-feira. Questionado pelo jornal britânico Financial Times se o governo quitaria o débito, o ministro grego da Economia, George Stathakis, confirmou o default (calote) ao Fundo. Essa medida poderá interromper os empréstimos emergenciais que estão sendo feitos pelo Banco Central Europeu (BCE) aos bancos gregos o que forçará a saída da Grécia da Zona do Euro.

A expectativa iminente do default levou a agência de classificação de risco Standard & Poor;s a reduzir ontem a nota da Grécia de CCC para CCC-. A instituição avaliou que a decisão do primeiro-ministro grego, Alex Tsipras, de convocar na última sexta-feira um referendo para domingo, 5, a fim de que os gregos decidam se aceitam o plano de resgate dos credores é um mau sinal para a ;estabilidade econômica; do país europeu. De acordo com a instituição, o risco de saída de Atenas da Eurozona é de 50% ;sem uma evolução favorável da situação;, o que levará, nos próximos seis meses, a uma moratória da Grécia com credores privados.

A expectativa sobre o que ocorreria em Atenas deixou os mercados internacionais nervosos e provocou um rastro de prejuízo no mundo. As bolsas da Ásia, da Europa e das Américas fecharam o dia no vermelho. A Bolsa de Valores de São Paulo (BM) acompanhou as demais, embalada pela crise grega, e recuou 1,86%, para 53.014 pontos. A instabilidade na União Europeia deixou a cotação do euro bem próxima a do dólar ontem. Enquanto a divisa americana recuou 0,28% para R$ 3,12, o euro encerrou a R$ 3,05, com alta de 0,38%.

Na avaliação do professor de Finanças do Ibmec-DF José Kobori, essa forte queda nos mercados é resultado da precificação do calote grego. ;Eles (os operadores) estão se adiantando ao fato. Pode ser que, quando a Grécia anunciar que não pagará o FMI, as bolsas subam;, destacou ele destacando que, para o Brasil, o impacto dessa crise na Europa será mínimo. O economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa, também acredita que o nível de contágio local é baixo. ;O nosso problema é interno. Mas amanhã, o dia será tenso. Os mercados continuarão evitando risco e as bolsas devem sofrer novas quedas e os ativos em iene e em dólar, considerados mais seguros, deverão ser o mais procurados;, disse.

O economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, considera inevitável saída da Grécia da Zona do Euro e que o impacto disso não será dramático nos mercados, com uma desvalorização das moedas em relação ao dólar relativamente rápida.



No vermelho
os resultados ontem nos principais mercados

Índice Pontos Var (%)
Dow Jones (Nova York) 17.596 -1,95
S 500 (Nova York) 2.101 -0,04
Nasdaq (Nova York) 4.958 -2,40
DAX 30 (Frankfurt) 11.083 -3,56
CAC 40 (Paris) 4.870 -3,74
FTSE MIB (Londres) 22.570 -5,17
IBEX 35 (Madri) 10.854 -4,56
SMI (Zurique) 8.868 -1,54
Nikkei (Tóquio) 20.110 -2,88
Xangai (China) 4.053 -3,34
Merval (Buenos Aires) 11.349 -2,87
Ibovespa (São Paulo) 53.014 -1,86

Perfil da economia grega *
Produto Interno Bruto (PIB) US$ 238 bilhões
PIB per capita US$ 21,6 mil
Inflação (no ano) -2,6%
Taxa de desemprego 11,5%
Resultado primário em relação ao PIB 1,5%
Dívida bruta em relação ao PIB 177%
Resultado em conta-corrente US$ 2,2 bilhões

* Dados de 2014

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