Aluguel deve ser negociado

Aluguel deve ser negociado

Crise econômica eleva estoque de imóveis para locação e derruba preços. Imobiliárias aconselham proprietários a manterem inquilinos antigos a fim de evitar perda no valor de um novo contrato

RODOLFO COSTA
postado em 30/06/2015 00:00
Quem tem contrato de aluguel atrelado ao Índice Geral de Preços ; Mercado (IGP-M), da Fundação Getulio Vargas, precisa se preparar para negociar. Apesar de o indicador em 12 meses terminado em junho ter acumulado alta de 5,59%, muitas imobiliárias não estão corrigindo os contratos de locação pelo valor cheio do indicador. Para evitar prejuízos, corretores estão recomendando aos proprietários que segurem os preços dos aluguéis para manter os atuais locatários. O endividamento das família, a disparada da inflação, dos juros e o aumento do desemprego desaqueceram o mercado.

Apenas no Distrito Federal, a oferta de imóveis para locação subiu em abril 75,9% em comparação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do Sindicato da Habitação (Secovi-DF). A maior opção tem derrubado os preços, e em algumas situações, locatários tem sido obrigados a alugar o imóvel por valores inferiores aos do antigo contrato. ;Até o fim de 2014, a procura dos clientes era mais por diferenciais, como piso ou reforma. Hoje, dão prioridade a valores que pesem menos no bolso;, garantiu Márcia Melo, gerente de locação da Thaís Imobiliária.

Para fortalecer os negócios, Márcia tem se esforçado mais para intermediar as negociações de reajustes contratuais entre locatários e locadores. ;É importante esse meio de campo para não gerar insatisfação. Hoje, a regra principal é manter o inquilino no imóvel;, garantiu. Entretanto, o ambiente econômico não tem facilitado os acordos. Do total de imóveis administrados pela unidade, 12,4% estão desocupados. ;Há seis meses, essa média era de 8%;, lamentou. O aumento, segundo ela, foi puxado principalmente pela desocupação dos imóveis comerciais.

Até o fim do ano, mais lojas e salas comerciais rechearão as carteiras de imóveis desocupados das imobiliárias, prevê o presidente do Secovi-DF, Carlos Hiram Bentes David. Com as vendas em queda e receita comprimida por uma desaceleração da demanda, a tendência é que as negociações contratuais tenham menor efeito entre os imóveis comerciais. ;São imóveis que impactam mais sobre a estrutura de custo dos empresários;, avaliou ele, que garante: a contração também será observada no mercado de residenciais. Em abril, o índice imobiliário de locação medido pelo setor registrou o primeiro recuo desde novembro passado.

Barganha
O momento, entretanto, pode ser favorável para renovações e fechamentos de novos contratos. ;O momento inverteu. Diferentemente de três anos atrás, quando o mercado imobiliário estava aquecido e os locadores tinham ganho real, os locatários têm, agora, mais poder de barganha;, analisou Eduardo Luque, sócio da PwC Brasil e líder de Engenharia & Construção. Para isso, o recomendado é que os consumidores pesquisem preços e apresentem propostas aos corretores.

Contratos que vencem em julho poderão ter menor impacto de correção de valores. Para o coordenador de análises econômicas do Ibre/FGV, Salomão Quadros, a expectativa é de que o IGP-M apresente uma taxa menor do que a de junho, que avançou 0,67%. ;O indicador foi pressionado por aumentos de custos de alimentação, despesas pessoais e renovações contratuais com mão de obra.;

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