Alerta máximo

Alerta máximo

Vicente Nunes vicentenunes.df@dabr.com.br
postado em 30/06/2015 00:00

A perspectiva de a Grécia decretar calote hoje, ao deixar de pagar 1,6 bilhão de euros (US$ 1,7 bilhão) ao Fundo Monetário Internacional (FMI), acendeu todos os sinais de alerta do governo brasileiro. Como dizem técnicos do BC, ainda que a visão quase unânime de integrantes da equipe econômica seja a de que os respingos no Brasil serão mínimos, a ordem é monitorar, com lupa, o tamanho do contágio do calote grego sobre a Europa, maior comprador de produtos brasileiros. Estão sendo acompanhados todos os números depois da vírgula.

De volta da Basileia, na Suíça, onde se reuniu com presidentes de bancos centrais de todo o mundo, Alexandre Tombini, comandante da autoridade monetária brasileira, constatou o tamanho da preocupação global com o iminente desastre grego. Por mais que o colapso do pequeno país europeu e o seu rompimento com o euro estejam considerados em todas as análises econômicas, não se sabe a dimensão do estrago a ser provocado nos mercados e qual será o comportamento dos investidores em relação a outras nações que lutam para sair do atoleiro, como Portugal, Espanha e Itália.

No entender de economistas do governo, a crise provocada pela Grécia vem num péssimo momento, em que a desconfiança em relação ao Brasil está no auge. Tanto as perspectiva para a inflação quanto as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) têm piorado semana a semana. Há, entre os analistas de mercado, a visão consolidada de que, com a recessão, que corroeu 2015 e está tragando 2016, ficará muito difícil para o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, atingir as metas fiscais que prometeu a fim de conter a explosão da dívida pública bruta.

Nesse clima de tanta incerteza, os críticos mais contumazes da administração Dilma Rousseff não se furtam em comparar a situação do país com a da Grécia, uma vez que as contas do governo estão em situação muito frágil e o sistema previdenciário caminha para um quadro insustentável a longo prazo, devido à falta de disposição do Palácio do Planalto em propor soluções efetivas para estancar o rombo crescente do sistema.

Exageros à parte, o economista Sílvio Campos Neto, da Tendências Consultoria, diz que os riscos para o Brasil têm muito mais a ver com questões domésticas do que com o possível calote grego. São quatro as ameaças no horizonte. A primeira delas, a alta probabilidade de o Tribunal de Contas da União (TCU) rejeitar as contas de 2014 do governo, o que fortalecerá, novamente, o discurso da oposição pelo impeachment de Dilma.

Outro fator desestabilizador é a Operação Lava-Jato, que desembarcou com tudo no Planalto. Por mais que Dilma tenha tentado se descolar das denúncias feitas pelo dono da construtora UTC, Ricardo Pessoa, de que a campanha dela foi financiada com dinheiro da corrupção na Petrobras, a crise é latente. Além disso, há as tensões na base aliada, que afastam cada vez mais o PT do PMDB, e o quadro caótico da economia, com a disparada do desemprego, que mina qualquer possibilidade de recuperação da popularidade da presidente. Diante disso, tudo o que Dilma não precisava agora era lidar com um calote da Grécia e suas consequências para o Brasil e o mundo.




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