Bomba mata procurador-geral do Egito

Bomba mata procurador-geral do Egito

postado em 30/06/2015 00:00
 (foto: Khaled Desouki/AFP)
(foto: Khaled Desouki/AFP)


Um atentado a bomba matou ontem o procurador-geral do Egito, Hicham Barakat, maior autoridade do país a ser alvo de ataques em 21 meses ; em setembro de 2013, o então ministro do Interior, Mohammed Ibrahim, sobreviveu a uma tentativa de assassinato. A ação foi imediatamente identificada como um ataque terrorista e elevou a tensão no país. Em resposta, o presidente Abdel-Fattah Al-Sisi convocou uma reunião de urgência com Magdy Abdel-Ghaffar, titular da pasta do Interior. Al-Sisi ordenou a prisão dos autores da explosão e o reforço de medidas de segurança.

Nos últimos meses, autoridades egípcias, principalmente ligadas ao Judiciário, entraram na mira de grupos extremistas islâmicos, combatidos pelo governo desde o golpe militar que retirou o presidente islamita Mohamed Morsy do poder, em julho de 2013. À época, Al-Sisi era comandante do Exército e liderou a ação contra Morsy. Nos meses que se sucederam ao golpe, partidos e organizações religiosas ; como a Irmandade Muçulmana ; foram lançados na clandestinidade. Vários membros do governo Morsy e simpatizantes foram condenados em julgamentos amplamente questionados pela comunidade internacional. Detido desde a queda de sua administração, Morsy foi condenado à morte por suposta participação em uma fuga em massa de uma prisão em 2011.

No mês passado, líderes do grupo jihadista Província do Sinai, o qual jurou fidelidade ao Estado Islâmico (EI), exortaram os seguidores a atacarem juízes egípcios. Em maio passado, os militantes divulgaram um vídeo que mostra a execução de três magistrados em Al-Arish, no norte da península. Durante a gestão Morsy, o grupo mantinha foco em alvos internacionais, como Israel, mas começou a se dedicar a ações internas depois que os islamitas perderam o poder. Anteriormente conhecida como Ansar Beit Al-Maqdis, a facção reivindicou o atentado contra Ibrahim, além de uma série de ataques a bomba, tiroteios e decapitações.

Em mensagem divulgada pelo Facebook, uma organização pouco conhecida, chamada Resistência Popular Gizé, reivindicou o ataque, mas a conta foi deletada e a informação não pôde ser confirmada. Se for comprovada a autoria, esse terá sido o mais sofisticado e elaborado ataque do grupo.

A Casa Branca condenou o atentado e destacou estar ;ao lado do Egito neste momento difícil;. Em nota, o Itamaraty também lamentou o ocorrido e repudiou ;atos de terrorismo, praticados sob quaisquer motivações;.

Explosão

A polícia trabalha com a ideia de um carro-bomba ter atingido o comboio de Barakat ou de um artefato explosivo ter sido acoplado ao carro oficial e detonado à distância. Os veículos foram atingidos pouco depois de deixarem a casa do procurador-geral, no bairro de Heliópolis. Nove pessoas, incluindo dois motoristas e cinco membros das forças de segurança, ficaram feridos. Segundo um porta-voz do Ministério da Saúde, Barakat sofreu hemorragia no estômago e nos pulmões e fraturou o nariz e o ombro esquerdo. Ele foi socorrido e chegou a ser atendido em um hospital do bairro, mas não resistiu aos ferimentos.

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