"Meninas de Chibok" nas filas dos jihadistas

"Meninas de Chibok" nas filas dos jihadistas

postado em 30/06/2015 00:00
 (foto: AFP)
(foto: AFP)


Pouco mais de um mês depois do primeiro aniversário do sequestro de mais de 200 meninas e adolescentes de cidade de Chibok pelo grupo extremista Boko Haram, nigerianos do conturbado nordeste do país relataram à emissora britânica BBC que algumas das reféns teriam sido vistas lutando ao lado dos jihadistas. Uma ex-refém do grupo afirmou ter assistido a uma das ;meninas de Chibok; ; como ficaram conhecidas ; ajudando a intimidar outros cativos. Outra identificou entre os ;carcereiros;, pouco antes de escapar dos captores, adolescentes armadas as quais os combatentes apresentavam como ;as professoras de Chibok;.

Usando o nome fictício de Anna, uma mulher de 60 anos contou ao programa Panorama, da BBC, sobre os cinco meses que passou em um poder dos jihadistas antes de fugir, em dezembro. Pouco antes, ela alega ter testemunhado a execução de reféns cristãos que rejeitaram a conversão ao islã. ;Eles foram amarrados e forçados a deitar-se no chão. Aí, as meninas de Chibok cortaram o pescoço deles;, disse.


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Total de reféns capturadas há um ano em Chibok que continuam desaparecidas


Anna acredita que as adolescentes teriam sido submetidas a intimidação ou mesmo ;lavagem cerebral;: ;Não foi culpa delas, foram forçadas a fazer aquilo. Todo mundo que vê essas meninas se compadece delas;. Questionada se tinha certeza de que eram do grupo das reféns célebres as jovens que viu armadas no cativeiro, a ex-prisioneira não hesitou: ;Eles (os extremistas) nem se preocupam em esconder. Dizem a todos que aquelas são ;as professoras de Chibok;, espalhadas entre os acampamentos do grupo para conduzir leituras do Corão entre os cativos;.

Miriam, 17, outra ex-refém ouvida pela emissora britânica, relatou experiências semelhantes. Forçada a se casar, sob ameaça de ser imediatamente executada, ela ainda assim foi repetidamente estuprada ; hoje, em liberdade, está grávida sem poder saber a identidade do pai. A jovem teve contato com algumas das ;meninas de Chibok; recrutadas para o Boko Haram, mantidas em alojamento à parte das demais reféns. ;Elas diziam para nós: ;Vocês devem aprender com o exemplo dos seus maridos, que estão dando o próprio sangue pela causa. Nós (mulheres) também devemos ir à guerra em nome de Deus;;, relatou Miriam.

Embora ressalte que os relatos das testemunhas não podiam ser confirmados, a BBC ouviu sobre eles um representante da seção africana da Anistia Internacional. Netsanet Belay, responsável por pesquisas e assuntos legais, recolheu em seu trabalho informações de que as ;meninas de Chibok; estão sendo submetidas pelos jihadistas a treinamento militar. ;A captura e a brutalização de adolescentes, para integração às fileiras do grupo, parece ser parte do modus operandi do Boko Haram.;

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