Europa nega ajuda à Grécia

Europa nega ajuda à Grécia

País deixou de depositar parcela de 1,6 bilhão de euros ao FMI ontem. Europeus negam recursos adicionais até consulta popular do próximo domingo, em que os gregos decidirão se apóiam ou não medidas de ajuste fiscal

Rosana Hessel
postado em 01/07/2015 00:00
 (foto: Louisa Gouliamaki/AFP)
(foto: Louisa Gouliamaki/AFP)


A Grécia deu o calote no Fundo Monetário Internacional (FMI). O prazo para o pagamento da parcela de 1,6 bilhão de euros devidos à instituição expirou hoje à zero hora (19h de Brasília). Como previsto, não foi depositado um centavo.

O Eurogrupo, órgão composto pelos ministros de Finanças da Zona do Euro, recusou-se a prorrogar o pacote de ajuda que estava em vigor por falta de acordo entre o governo do primeiro-ministro grego, Alex Tsipras, e os credores internacionais. Em nota, enviada 16 minutos após o vencimento do prazo, o FMI confirmou que o reembolso grego ;não foi recebido; e que, a partir de agora, a Grécia passa a ser o primeiro país desenvolvido a integrar a lista de 28 países que estão ;em atraso; com o Fundo, ao lado de Zimbábue, Sudão, Somália e Afeganistão.

Como sanção, não poderá mais tomar financiamento da instituição. Tecnicamente, o organismo multilateral só considera calote quando o atraso do pagamento de dívidas supera seis meses a partir do vencimento. Houve um pedido para estender o prazo. ;Posso confirmar que o FMI recebeu um pedido das autoridades gregas de prorrogação do prazo de pagamento da Grécia e que ele será avaliado pelo Conselho Executivo do Fundo em seu devido tempo;, disse o comunicado assinado pelo diretor de Comunicações, Gerry Arroz.

Durante o dia de ontem, o Tsipras também pediu uma prorrogação do prazo para o Eurogrupo, que foi negado. O premier queria um novo pacote de ajuda para pagar 29,15 bilhões de euros em dívidas até 2017. A proposta ainda solicitava ampliação do programa de socorro em curso desde 2010, de 240 bilhões de euros. A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, chegou a afirmar que ;não vai negociar nada novo; até que seja realizado o referendo marcado para o próximo domingo, no qual a população grega vai aprovar ou rejeitar as medidas de austeridade propostas pela União Europeia para liberar o pacote de socorro de 15,5 bilhões de euros. Para isso, o governo grego precisará de um novo plano de ajuste fiscal, reduzindo pensões, cortando salários e aumentando impostos.

A expectativa é que as negociações continuem hoje de forma a deixar uma porta ainda aberta para evitar que a Grécia abandone bruscamente o grupo de 19 países que compartilham o euro se o resultado do referendo de domingo for negativo. O economista da Tendências Consultoria Silvio Campos Melo acredita que as consequências para os gregos de uma eventual saída do país da Zona do Euro seriam drásticas. ;A inflação deverá chegar a 60%;, alertou. Na avaliação do professor de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) Ernesto Lozardo, seria melhor para a Grécia sair da Zona do Euro. ;A princípio, haveria uma forte perda do poder de compra para a população, mas o país voltaria a ter mais autonomia e instrumentos de política monetária;, destacou. ;A Grécia deveria ter um planejamento diferenciado, porque sua economia não é competitiva como a da Alemanha. Está baseada em serviços e turismo. A produtividade grega é baixa e, com o euro, o custo de vida acabou aumentando muito;, lembrou.

Um dia depois de a agência de classificação de risco Standard & Poor;s rebaixar a nota de crédito da Grécia e considerar 50% de chances de o país deixar a Zona do Euro, ontem, foi a vez de a Fitch Ratings fazer a mesma coisa. A nota do crédito soberano grego caiu de CCC para CC, nota que está a dois degraus do calote, após o colapso nas negociações entre o governo grego e seus credores. Assim como a S, a Fitch sinaliza a possibilidade de moratória do país europeu nos próximos meses. ;Agora, nós vemos como provável um default dos títulos públicos em poder de credores privados;, disse a nota da agência.

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