Despesa recorde com juros

Despesa recorde com juros

Governo gastou R$ 1,3 bilhão por dia com sua dívida entre janeiro e maio. Total de R$ 198,8 bilhões é o mais elevado desde o início da série histórica, levando o deficit primário a 7,3% do PIB

ANTONIO TEMÓTEO
postado em 01/07/2015 00:00
O aperto monetário promovido pelo Banco Central (BC) para derrubar a inflação tem custado caro ao país. Somente nos cinco primeiros meses do ano, os gastos com juros chegaram a R$ 198,8 bilhões, o equivalente a 8,4% do Produto Interno Bruto (PIB). É o pior resultado desde o início da série histórica, em 2001, tanto em termos nominais quanto em percentual da geração de riquezas no país. Nesses cinco meses, o governo pagou R$ 1,3 bilhão por dia ; incluindo os sábados, os domingos e os feriados ; para honrar os financiamentos.

A alta em relação ao mesmo período do ano passado é de 95,8%. Entre janeiro e maio de 2014, o governo havia gastado R$ 101,5 bilhões com o pagamento de juros. O aumento se deve às elevações nos principais fatores de correção da dívida: a taxa básica de juros (Selic) e os índices de preços, influenciados pela disparada do dólar e pelo reajuste de tarifas públicas. Além disso, o BC acumula perdas de R$ 41,2 bilhões com operações de swap cambial, que são contabilizadas nas despesas com juros. O superavit primário no período foi de R$ 25,5 bilhões, mas houve deficit nominal de R$ 173,3 bilhões, equivalente a 7,3% do PIB.

Os juros não pagos são incorporados à dívida bruta, que atingiu o equivalente a 62,5% da geração de riquezas no país. Também é o maior patamar alcançado desde o início da série histórica, em 2001. O BC estimou que a dívida bruta encerrará o ano em 63% do PIB se o Executivo cumprir as expectativas do mercado para o superavit primário ; 0,7% do PIB. Caso o superavit chegue a 1,1%, como previu o governo no início do ano, a dívida ficará em 62,7% do PIB.

A economista-chefe da Rosenberg Associados, Thaís Marzola, destacou que as despesas com juros nominais são influenciadas pelas operações de swap feitas BC. Portanto, é importante que as intervenções no câmbio sejam reduzidas. Ela também chamou a atenção para o fato de que a composição do gasto com juros no âmbito federal contrasta com a de estados e municípios, graças à troca dos indexadores dos débitos desses entes federados.

Marzola também comentou que as despesas com juros vão continuar altas devido à persistência da inflação e à manutenção da Selic em patamar elevado. ;A posição de swaps do BC deverá fazer os desembolsos com juros aumentarem caso o real siga tendência de depreciação em relação ao dólar;, afirmou.

Na avaliação do economista-chefe da TOV Corretora, Pedro Paulo Silveira, o BC precisa controlar a inflação e a economia deve dar sinais de recuperação para que a relação entre dívida e PIB volte à trajetória de declínio. ;Boa parte da piora fiscal veio da carestia e da retração da atividade. Com taxa de inflação de 5,6% em 2016 e um crescimento superior a zero, o quadro tende a melhorar substancialmente;, explicou.



"A posição de swaps do BC fará desembolsos aumentarem caso o real siga a tendência de desvalorização;
Thaís Marzola, economista


Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação