ARI CUNHA

ARI CUNHA

Desde 1960 Visto, lido e ouvido

aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha / circecunha.df@dabr.com.br
postado em 01/07/2015 00:00
Cuida que é sua

Em plena luz do dia, um caminhão da Sushi Loko cruzou a calçada, a ciclofaixa e estacionou sobre o gramado da 213 Norte. Ali, passou a exibir enorme faixa de propaganda da empresa. No balão florido de outra quadra, como em muitos outros espalhados pelo Plano Piloto, as faixas anunciando venda de imóveis ou entrega de pizzas tremulam na paz do vento. Em vários pontos da cidade enormes painéis de LED alardeiam todo tipo de mercadoria em cores e movimentos como grandes aparelhos de televisão ao ar livre. No comércio, os letreiros disputam entre si qual é o que mais se destaca em tamanho e enfeites. Compondo o cenário multicor e disforme, as pichações e grafites vão invadindo cada espaço em branco de prédios, muros, passagens subterrâneas. Rabiscar a cidade com garatujas de toda ordem é moda e qualquer opinião contrária ao livre direito de manifestar, fere a liberdade de criar. É tudo arte.

Nas áreas comerciais e residenciais, contêineres, cada vez mais numerosos, invadem os estacionamentos espalhando no ar o odor do chorume que escorre ladeira abaixo. Nas entrequadras, a expansão silenciosa dos restaurantes acumula cadeiras e mesas por toda a área de circulação de pedestres. Ao redor das quadras residenciais, vão proliferando os quiosques de chaveiros, de comidas e de prestação de outros serviços, tudo em nome da liberdade de comércio sem limites.

Os blocos residenciais, reformados por síndicos sem formação em arquitetura ou engenharia, atacam os projetos originais sem autorização do autor da obra. Exibem amplo mostruário de azulejos existentes no mundo, numa profusão de cores e de motivos difíceis de imaginar. Grades, pelo sinal dos tempos, aparecem em toda parte fechando passagens e aberturas naturais.

Carros em grande quantidade, inclusive os oficiais, estacionam tranquilamente sobre os gramados sem cerimônia, num desprezo pelas áreas verdes. Aos poucos Brasília vai se dobrando ao avanço silencioso das pequenas irregularidades, que, pouco a pouco, vão desfigurando o projeto de cidade moderna, única no mundo e que ainda é motivo de atração turística e de admiração por todos pela capacidade de um povo se reinventar. A cidade é de quem a usufrui com carinho e cuida como se fosse a própria casa. A cidade é também a cara de quem nela habita.



A frase que foi pronunciada

;Se você acha que educação é cara, experimente a ignorância.;

Derek Book, advogado e educador dos Estados Unidos
formado na Universidade de Harvard



Educado demais!
; Cercando o senador Renan Calheiros, uma caravana que veio discutir o PL n; 28 cobrava um encontro. Prontamente, o presidente do Senado convocou os representantes do grupo e os encaminhou para a presidência. Edison, da Polícia do Senado, separou um auditório para que todos se acomodassem durante os debates. Finalizados os contatos e com o afastamento do presidente, os comentários eram dois: Puxa! Como foi fácil falar com ele, você viu? Uma reclamação foi unânime. Todos os que filmavam a conversa pelo celular ficaram decepcionados. O senador Renan Calheiros não fala alto, ninguém conseguiu ouvir uma palavra.


Sem rodeios
; Luiz Lima, da Clip Clipping, lembra que, no velho jornalismo, os assessores monitoravam as notícias para responder a qualquer ataque, prontamente. Hoje, a preocupação é esconder o atacado. Um desses acontecimentos foi lembrado por um jornalista. Por que o ministro Levy não nos recebeu quando estava resfriado e, agora, com embolia pulmonar, vai aos Estados Unidos? Uma colega bastante sincera não deixou passar quando leu a nota. ;Porque nós, jornalistas, somos muito chatos.;

FDDD
; Nas notícias do TST está lá: A Rápido 900 de Transportes Rodoviários foi multada em R$ 1 milhão por danos morais coletivos pelo transporte inadequado de amianto. Está proibida de carregar o produto. Danos morais coletivos fazem lembrar o caso da pílula de farinha. A Schering do Brasil foi multada também em 1 milhão há 17 anos. Pergunta que não quer calar. Para onde segue a verba da multa por danos morais coletivos? Graças aos consumidores ou contribuintes lesados, o Fundo de Defesa de Direitos Difusos, gerido pelo Ministério da Justiça, é reforçado.


Público
; Parece uma iniciativa espetacular mandar funcionário público registrar a entrada e a saída do trabalho. A Câmara Legislativa, no anúncio aos quatro ventos, avisou que só os concursados terão a obrigação. Não há como compreender. Todos são pagos com a mesma verba pública. Faz falta o registro dos médicos no atendimento à população. E mais: Lembrando o presidente Lula que solicitou a coleta dos celulares para ter certeza de que a conversa não seria gravada. Discussão em espaço público deve ser de interesse público.



História de Brasília
Dois pioneiros conversavam na Cidade Livre, quando um virou-se para o outro e indagou: Vamos ver se a gente consegue encontrar um lugar onde se possa comprar um cigarro? (Publicado em 18/8/1961)

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