Atirador tunisiano treinou na Líbia

Atirador tunisiano treinou na Líbia

postado em 01/07/2015 00:00
 (foto: Kenzo Tribouillard/AFP)
(foto: Kenzo Tribouillard/AFP)


O presidente da Tunísia, Beji Caid Essebsi, admitiu que, apesar de o país ter reforçado a segurança, não estava preparado para um atentado no litoral, como o que deixou 38 mortos em Sousse, na última sexta-feira. ;É certo que nos surpreendeu. Tomamos medidas para o mês do Ramadã, mas não pensamos que algo poderia ocorrer numa praia;, reconheceu, em entrevista à rádio Europe 1.

O autor do ataque, identificado como Seifeddine Rezgui, de 23 anos, foi radicalizado ;principalmente pela internet;, segundo o primeiro-ministro, Habib Esid. O estudante recebeu treinamento militar na Líbia, país vizinho, o qual mergulhou no caos desde a queda do ditador Muamar Kadafi, em outubro de 2011.

;Verificamos que ele viajou para a Líbia de maneira ilegal (...) Ele recebeu treinamento em Sabratha (a oeste de Trípoli);, disse o secretário de Estado encarregado pela segurança nacional, Rafik Chelly. O jihadista afiliado ao Estado Islâmico (EI) invadiu a praia de um hotel com um fuzil Kalashnikov escondido no guarda-sol e, de forma tranquila, disparou contra turistas. Até o fechamento desta edição, 26 das 38 vítimas tinham sido identificadas ; são 18 britânicos, três irlandeses, dois alemães, uma belga, um russo e uma portuguesa, Maria da Glória Moreira, que tem dupla cidadania brasileira.

Na França, Yassin Salhi, o muçulmano que decapitou o chefe e tentou explodir uma usina de gás industrial, também na sexta-feira, foi acusado de terrorismo e de manter vínculos com o EI. Salhi, de 35 anos, alegou motivos pessoais para o assassinato. Investigadores identificaram laços do homem com jihadistas e afirmaram que ele enviou uma fotografia ao lado da cabeça do chefe para um amigo membro do EI e pediu que o grupo divulgasse o ato. ;Todo o seu comportamento demonstra que, desde a véspera, ele tinha idealizado o projeto criminoso terrorista;, disse o promotor de Paris, François Molins.

Os ataques na Tunísia e na França ocorreram poucos meses depois do atentado ao Museu do Bardo, em Túnis, onde 22 turistas foram mortos, e dos ataques em Paris, que começaram com um tiroteio contra o semanário Charlie Hebdo, deixando 17 vítimas. Todos foram associados ao EI, que ontem decapitou duas mulheres acusadas de bruxaria na Síria. Foi a primeira vez que a facção executou mulheres dessa forma.

Iêmen

Cerca de 1,2 mil prisioneiros fugiram de uma cadeia na cidade de Taiz, no centro do Iêmen. Segundo uma autoridade citada pela agência estatal de notícias Saba, a penitenciária foi atacada por militantes da Al-Qaeda. A imprensa internacional, no entanto, destacou que a fuga ocorreu diante de pesados conflitos entre milícias inimigas e que guardas da prisão desertaram. Entre os foragidos, estão integrantes da Al-Qaeda.


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