Cuba elimina contágio do HIV de mãe para filho

Cuba elimina contágio do HIV de mãe para filho

postado em 01/07/2015 00:00
O acesso facilitado ao pré-natal e a assistência total a grávidas soropositivas ; incluindo cuidados como o tratamento com antirretrovirais e a realização de parto cesariano ; fizeram de Cuba o primeiro país do mundo a zerar a transmissão do HIV de mãe para filho. A condição foi anunciada ontem pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que a classificou como um marco histórico. ;Eliminar a transmissão de um vírus é uma das maiores conquistas possíveis de saúde pública (;) Esse é um passo importante no sentido de ter uma geração livre da Aids;, comemorou Margaret Chan, diretora geral da OMS.

A transmissão da sífilis de mãe para filho também foi eliminada no país caribenho. Em 2013, dois bebês nasceram com o vírus da Aids em Cuba e três com sífilis congênita ; números bem abaixo dos critérios estabelecidos pela OMS para declarar que um país eliminou a transmissão da doença: em pelo menos um ano, 50 casos de bebês infectados pelo HIV a cada 100 mil nascidos vivos e 50 casos com sífilis congênita a cada 100 mil nascidos vivos. ;O sucesso de Cuba demonstra que o acesso universal e a cobertura universal de saúde são viáveis e, de fato, a chave para o sucesso, mesmo contra desafios complexos como o HIV;, avaliou Carissa Etienne, diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

Segundo a OMS, anualmente, cerca de 1,4 milhão de mulheres infectadas pelo HIV engravidam no mundo. Sem o tratamento, as chances de passar o vírus ao filho durante a gestação, o parto ou a amamentação variam de 15% a 45%. O risco cai para pouco mais de 1% quando as mulheres e os bebês tomam medicamentos antirretrovirais. A quantidade de crianças que nasceram infectadas pelo vírus da Aids caiu quase pela metade desde 2009 ; de 400 mil para 240 mil em 2013 ;, mas ainda está longe da meta estabelecida para a agência de saúde da ONU a partir deste ano: 40 mil por ano.

Quase 1 milhão de grávidas no mundo são infectadas pela bactéria causadora da sífilis anualmente. A doença pode provocar perda precoce e fetal natimorto, morte neonatal, bebês com baixo peso e infecções neonatais graves. Geralmente, o tratamento com penicilina durante a gravidez é suficiente para eliminar a maioria dessas complicações. Segundo Carissa Etienne, o sucesso de Cuba reforça a necessidade de que os sistemas de saúde na América Latina e no Caribe se fundamentem no cuidado primário. ;Assim, é possível enfrentar desastres naturais, doenças infecciosas ou qualquer outra coisa;, afirmou.

O ministro de Saúde Pública cubano, Roberto Morales Ojeda, ressaltou que o reconhecimento da OMS é voltado para um sistema de saúde ;acessível, gratuito e universal;. Outros seis países e territórios da América estão em condições de solicitar da agência internacional a validação da eliminação da transmissão da Aids e do HIV de mãe para filho. São eles: Anguila, Barbados, Canadá, Estados Unidos, Montserrat e Porto Rico.


Ebola volta à Libéria
Declarada oficialmente livre da epidemia do ebola em 9 de maio, a Libéria detectou um novo caso da doença na província de Margibi. Segundo o vice-ministro da Saúde, Tolbert Nyensuah, o paciente morreu e as pessoas que tiveram contato com ele estão em quarentena. A declaração de não ocorrência da transmissão do ebola ocorreu depois que a Libéria contabilizou 42 dias sem novos casos após a morte da última vítima. O período representa duas vezes a duração máxima de incubação do vírus. À época, autoridades sanitárias alertaram para um risco de ressurgimento da doença enquanto os vizinhos Serra Leoa e Guiné estivessem enfrentando a epidemia.

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