Luta de Vivi ganha reforço

Luta de Vivi ganha reforço

Menina de 2 anos que precisa de uma medula para viver reage bem a tratamento experimental no Canadá e recebe alta hospitalar. Em Brasília, número de doadores cadastrados cresce mais de 200% apenas nos primeiros 15 dias de junho, comparado ao mês de maio

» MARYNA LACERDA
postado em 01/07/2015 00:00
 (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)


Uma nova etapa na luta contra a leucemia se inicia na vida de Vivian Cunha Iliopoulos, 2 anos. A menina embarcou com a família, em 11 de junho, para o Canadá e, lá, retomou os ciclos de quimioterapia, enquanto permanece na busca por um doador compatível. A campanha #ajudevivi ganhou as redes sociais e permanece a todo vapor, com a intenção de ampliar os cadastros na Fundação Hemocentro de Brasília. A iniciativa já surte efeitos: somente nos primeiros 15 dias de junho, a quantidade de novos registros aumentou 200% em relação ao mês anterior.

A resposta de Vivi ao tratamento tem sido bastante satisfatória. Ela já recebeu alta do hospital e agora só retorna para fazer as aplicações da quimioterapia. Nesta primeira etapa, serão seis meses de acompanhamento, de acordo com a amiga da família e administradora da página #AjudeVivi no Facebook, Mariana Moura. ;Ela vai fazer a quimio até limpar a medula, à espera do doador. Estão todos superesperançosos;, explica. Segundo Mariana, a ida para Toronto representa novos caminhos em direção à cura da menina. ;A mudança para o Canadá foi para tentar um tratamento experimental, sem contar que o banco de doadores de lá é enorme e pode ter alguém compatível;, conta Mariana.

As estatísticas são de um doador para cada cem mil pessoas. Até por isso, a campanha permanece, mesmo que Vivi esteja em outro país. Isso porque o cadastro faz parte de uma rede mundial de doadores e, com mais participantes, maiores são as chances de cura não só para Vivi, mas para todos que dependem desse recurso para retornar à vida saudável. A mobilização nas páginas do Facebook e do Instagram tem sensibilizado a população do Distrito Federal. Na primeira semana de junho, mais 682 pessoas procuraram o Hemocentro para se inscrever no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome). Trata-se de um aumento de 200% em relação a maio, quando 225 pessoas se cadastraram.

O aumento de doadores aproxima o Distrito Federal da meta de 9 mil novos doadores por ano, estabelecida pelo Ministério da Saúde, e incrementa a rede mundial de bancos de medula óssea. Isso porque o Redome mantém parceria com cadastros de outros países e, com isso, torna possível o mapeamento para além das fronteiras locais. Por isso, tão importante quanto se inscrever no Redome é manter os dados atualizados, a fim de que o contato seja mais rápido.

Solidariedade

Vivi foi diagnosticada com leucemia linfoide aguda (LLA) aos 10 meses de vida e, desde então, procura por alguém cuja medula seja compatível com a dela. À época, a menina morava com a família no Canadá ; país de origem do pai. Ela estava de férias no Brasil quando descobriu a doença. Desde então, a família permaneceu em Brasília para tratamento. Aqui, ela ficou internada no Hospital da Criança, sempre acompanhada da mãe, Fabiana Cunha Lima.

A campanha que amigos e familiares ajudaram a criar fortaleceu ações de solidariedade no Distrito Federal. É o caso da doação de cabelos para o salão Roberta Andrade, na Asa Sul. O estabelecimento costuma receber clientes dispostas a doar parte das madeixas para a confecção de perucas. As duas iniciativas se uniram em prol do bem-estar comum. ;Passamos a incentivar a doação na página da Vivi para ajudar tantas outras pessoas que perdem o cabelo em razão do tratamento. A Vivi não usa peruca, mas é uma iniciativa válida para mulheres mais velhas, que tendem a sentir mais a perda;, afirma Mariana.

Passo a passo

Quem pode doar
; É preciso ter entre 18 e 55 anos, estar em bom estado de saúde e não ter doença infecciosa ou incapacitante. Lembre que, uma vez no cadastro, o doador poderá ser chamado, caso seja identificado como compatível com algum paciente, até os 60 anos

Cadastro
; Pode ser feito no Hemocentro de cada unidade da Federação. Não é necessário agendamento. Para mais informações: telefone 160, opção 2.

Ficha
; Será retirada da veia uma quantidade de 5ml a 10ml de sangue, além de preenchida uma ficha com informações pessoais. O sangue será tipificado por exame de histocompatibilidade (HLA), um teste de laboratório para identificar as características genéticas que podem influenciar no transplante. O seu tipo de HLA será incluído no cadastro. Os resultados são confidenciais e servem apenas
para o Redome.

Banco de dados
; Os dados serão cruzados com os dos pacientes que precisam de transplante de medula óssea constantemente. Se você for compatível com algum, outros exames de sangue serão necessários.

Compatibilidade
; Se a compatibilidade for confirmada, você será consultado para confirmar se deseja realizar a doação. O atual estado de saúde será avaliado.

Doação
; A doação se faz em centro cirúrgico, com anestesia peridural ou geral, e requer internação por, no mínimo, 24 horas. Nos primeiros três dias após a doação, pode haver desconforto localizado, de leve a moderado, amenizado com o uso de analgésicos e medidas simples. Normalmente, os doadores retornam às atividades habituais depois da primeira semana.

Outras técnicas
; Existe uma outra forma de obtenção das células-tronco da medula óssea, que utiliza uma máquina específica (aférese) para separar, do sangue periférico (corrente sanguínea), as células necessárias para o transplante. Nesse caso, o doador tem de receber um medicamento antes da doação (fator de crescimento), que estimula a medula óssea a liberar tais células para a corrente sanguínea. A técnica é usada apenas em casos específicos, sob decisão médica e com o consentimento do doador.

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