Brasília canta para o mundo

Brasília canta para o mundo

Coral da cidade ganha medalhas de ouro e prata em festival internacional na Alemanha. rupo de 45 pessoas do Cantus Firmus não tem patrocínio e custeou todos os gastos. Em uma das categorias premiadas, eles cantaram samba, bossa-nova e música nordestina

postado em 23/07/2015 00:00
 (foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)
(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)




Duas medalhas ;
uma de ouro e outra de prata ; estão vindo para Brasília. Mas não é fruto dos Jogos Pan-Americanos de Toronto. O coral Cantus Firmus ganhou os prêmios no Gran Prix of Nations, um dos maiores festivais de música do mundo, realizado em Magdeburgo, na Alemanha, de 27 de junho a 11 de julho. O grupo de 45 pessoas passou uma semana no Leste Europeu, com apresentações em Budapeste (Hungria), Bratislava (Eslováquia), Viena (Áustria) e Praga (República Tcheca), até chegar ao local do prêmio. Com 23 anos de tradição ; e sem apoio financeiro ;, a equipe concorreu com 100 coros e 4,5 mil cantores de 29 países. Foi o único time brasileiro a sair com o título.

O repertório diversificado, que abrange música folclórica, nacional, latina, sacra, erudita, gospel e até jazz, conquistou jurados e público. Na coletânea apresentada estavam canções populares, como Garota de Ipanema, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes; Aquarela do Brasil, de Ary Barroso; e Eu vim da Bahia, de João Gilberto, em apresentações em praças, shoppings e igrejas, entre outros espaços públicos. ;Nós fomos avaliados em estilo, performance, sonoridade etc. Competimos de igual para igual com grupos muita tradicionais. Tínhamos uma boa expectativa, mas o resultado foi bem superior;, conta a maestrina Isabela Sekeff.

A medalha dourada foi recebida na categoria Coro Misto, enquanto o segundo lugar veio com o Coro Folclórico (confira As listas campeãs). ;Nosso samba sempre arrebenta;, elogia Isabela. A turma é composta por vários brasilienses que podem passar despercebidos no dia a dia. São professores, servidores públicos, advogados, bancários etc. ;Isso mostra que o coro é democrático. É um coral amador: apenas uma pessoa vive de música e três estudam regência;, frisa a presidente do grupo, Marília Chrispim.

A falta de patrocínio não impede a evolução do grupo. Mesmo sem incentivo, eles dedicam horas diárias ao canto. ;Isso é uma barreira, mas não nos desanima. A gente se organiza como pode e vai aos festivais. Agora (no Gran Prix of Nations), cada um pagou as próprias passagens e a estadia, por exemplo;, conta Marília. Nos sete dias em que o coral esteve na Alemanha, eles alugaram um ônibus para se locomover. ;Nós montamos equipes de administração e de controle financeiro para tudo dar certo;, explica a ;chefe;.

Para o baixo Lucas Moreira, além da sensação de dever cumprido, a experiência valeu para conhecer o que há de bom no mundo dos corais. ;Isso amadurece o nosso trabalho. A interação com outros grupos sempre é muito rica;, afirma.

No último dia de competição, a equipe brasileira encabeçou a marcha dos corais pelas ruas da pacata cidade de Magdeburgo. Eles cantaram músicas populares e até marchinhas de carnaval. ;Todo mundo foi contagiado pelo ritmo brasileiro. As pessoas ficaram muito felizes com a nossa passagem;, conclui Marília. Parte do Cantus Firmus, que já participou de mais de 25 eventos e gravou dois discos, volta só amanhã para Brasília.




Homenagem à Rainha

Desde a formação, a equipe pretendia representar o Brasil em festivais mundiais. Em 1996, o conjunto foi o único brasileiro a ser classificado para a primeira edição do Festival do Canadá, que celebrou os 500 anos de descoberta daquele país. A festividade contou com a presença de profissionais de todo o mundo e de celebridades internacionais, como a Rainha Elizabeth.

Em 2010, o grupo participou do American International Choral Festival, no qual foi premiado com duas medalhas de ouro nas categorias Coro de câmara e Folclórico ; além do superprêmio de melhor coral nas duas categorias, com a nota mais alta de todos os grupos que se classificaram com medalha de ouro. O Cantus Firmus já cantou em mais de 10 países, entre eles Peru, Itália, Argentina, Colômbia e Espanha.

As listas campeãs


Confira as canções apresentadas pelo Cantus Firmus na Alemanha

Coro Misto
Les Chant des Oyseaux - Clément Janequin/Renascença francesa
Alleluia - Jake Runestad/Erudito contemporâneo
Chula no terreiro - Frederico Dantas/Erudito contemporâneo
Isol Mili Orac - Peter Cón/Erudito contemporâneo
Hold On! - Arranjo de Moses Hogan/Gospel

Categoria Folclórico

Eu vim da Bahia - Gilberto Gil, com arranjo de Nelson Mathias/Samba
Cateretê - Francisco Mignone/Folclore brasileiro
Suíte nordestina - Ronaldo Miranda/Folclore brasileiro
Garota de Ipanema - Tom Jobim, com arranjo de Paulo Santos/Bossa-nova
Aquarela do Brasil - Ari Barroso, com arranjo de José Alves/Samba

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