Bailarinos feitos em casa

Bailarinos feitos em casa

» Nahima Maciel
postado em 23/07/2015 00:00
 (foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)

O cenário da dança mudou muito no Brasil nos últimos 10 anos. As oportunidades de trabalho aumentaram, assim como o número de companhias e a São Paulo Companhia de Dança (SPCD) é fruto dessa expansão. Letícia Martins ficou de olho no Brasil quando a companhia foi criada, em 2008. Nascida em Brasília, a bailarina fazia parte da companhia de balé do Theater Nordhausen, na Alemanha, país para o qual havia se mudado em 2005 graças a uma bolsa obtida durante o Seminário Internacional de Dança de Brasília. ;Na época, pensei ;que legal que no Brasil, finalmente, vai ter esse tipo de companhia com esse tipo de repertório, atual e internacional;;, conta.

Em 2012, ela decidiu voltar ao Brasil depois de quase sete anos na Alemanha, onde passou pelas companhias dos teatros de Magdebourg, Nordhausen e Bremerhaven. Estar perto da família e, sobretudo, seguir carreira no Brasil eram bons motivos para Letícia retornar. No ano seguinte, ela passou a integrar a SPCD e a perceber o quanto a cena da dança havia mudado no país. Por isso a bailarina está feliz da vida de pisar no palco do Mané Garrincha no próximo domingo, quando a SPCD faz a primeira apresentação em Brasília.

Ela sobe ao palco ao lado de Diego de Paula, também integrante da companhia paulista e outro ex-bolsista do seminário. Os dois são um exemplo de como a cruzada de Gis;le Santoro para fornecer oportunidades de formação para estudantes de dança pode dar certo. Diego saiu do Brasil em 2001 para fazer os últimos dois anos de formação na Academia de Dança de Mannheim, também na Alemanha. Nascido em Suzano, no interior de São Paulo, ele costumava frequentar o seminário em Brasília. Durante uma das participações, acabou com duas opções de bolsa. Escolheu Mannheim e ficou mais de 10 anos na Alemanha, onde se tornou o primeiro bailarino da Badisches Staatstheater, de Karlsrule.

A volta ao Brasil, para Diego, também nasceu da vontade de conquistar um espaço profissional no próprio país e do desejo de estar mais próximo da família. Para quem dançou todo tipo de repertório, dos clássicos aos contemporâneos, a SPCD pareceu o lugar ideal. Depois de chegar ao posto de primeiro bailarino de um teatro europeu, Diego queria novos desafios. ;Aqui, no Brasil, eu não estava em casa. Foram 10 anos dançando na Alemanha e, em Karlsrule, eu tinha o meu público.

Em São Paulo, as pessoas não sabiam quem eu era e tinha que cultivar o meu público;, conta o bailarino, que também precisou se adaptar à forma como os repertórios eram dançados no Brasil. ;Na Alemanha, fazíamos balés completos e muitos clássicos, neoclássicos, no máximo. Aqui, se dançava partes dos balés e o repertório era muito vasto, tinha que estar aberto a novos projetos e isso acrescenta muito a um bailarino.;

São Paulo Companhia de Dança
Grand Pas de Deux de Dom Quixote, de Marius Petipa. Mamihlapinatapai, de Jomar Mesquita com colaboração de Rodrigo de Castro. Domingo, às 20h, no Estádio Nacional Mané Garrincha. Entrada franca.

O lago dos cisnes
Hoje, às 21h, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Ingressos: Poltrona superior -
R$ 200 e R$ 100,00 (meia); Poltrona especial ; R$ 300 e
R$ 150,00 (meia); Poltrona VIP ;
R$ 400 e R$ 200,00 (meia); Classificação indicativa: Livre.




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