Polícia apura explosão no Instituto Lula

Polícia apura explosão no Instituto Lula

Vândalos jogam artefato explosivo contra entidade do ex-presidente Lula e danificam o portão do edifício. Petistas mobilizam polícias, Secretaria de Segurança Pública paulista e o ministro da Justiça

Jorge Macedo Especial para o Correio
postado em 01/08/2015 00:00
 (foto: Públicas/Divulgação)
(foto: Públicas/Divulgação)


Alvo de uma bomba caseira arremessada na noite de quinta-feira em frente ao portão que dá acesso à garagem do edifício, o Instituto Lula classificou o incidente como ;ataque político;. A ação, no bairro Ipiranga, Zona Sul de São Paulo, ocorreu às 22h18 e foi filmada pelas câmeras de segurança do local. Nas imagens, é possível ver um carro sedan escuro se aproximando quando um artefato caseiro é jogado contra a entrada da instituição.

De acordo com informações da Secretaria de Estado da Segurança Pública de São Paulo, a bomba utilizada no ataque foi produzida com material inflamável e continha pregos, que danificaram o portão e causaram pequenos buracos. A assessoria de imprensa do instituto afirmou que só tomou conhecimento do ocorrido ontem pela manhã, por volta das 8h, quando os primeiros funcionários chegaram ao local para trabalhar e informaram as autoridades policiais. No momento do ataque, não havia ninguém no local. A entidade foi criada em 2011 pelo ex-presidente Lula logo após o fim do segundo mandato, e funciona de segunda a sexta, das 8h às 19h.

As polícias Civil e Militar, o secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Alexandre de Moraes, e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, foram comunicados sobre o atentado. Por meio de nota, a instituição afirmou que espera que os responsáveis sejam identificados e punidos. Questionados sobre o porquê da motivação política, a assessoria de imprensa do instituto limitou-se a dizer que ;não foi um assalto ou algo parecido e que não há motivo aparente para o ataque, logo, a ação só poderia ter sido motivada por razões políticas, já que se trata do ex-presidente Lula;.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse ontem, em evento no Rio de Janeiro, que a possibilidade de o ato ter motivações políticas não pode ser descartada de imediato. ;Quando um fato está sob investigação, tudo deve ser considerado. A polícia apurará o que ocorreu. Essa é uma situação que merece ser investigada. Quando o autor for pego, é necessário que seja punido;, declarou.

Segundo ele, a Secretaria de Segurança Pública do Estado já foi avisada e tomará as devidas providências para apurar o episódio. A investigação já foi aberta, e a Polícia Civil fez perícia no local. A suspeita inicial, contudo, é de que não se trate de um crime político, mas da ação de baderneiros que passavam pelo local.

Há quatro meses, o PT esteve envolvido em situação semelhante. O diretório regional do partido em São Paulo foi alvo de um ataque parecido, que também não deixou feridos. Uma bomba de fabricação caseira, atirada de dentro de um carro durante a madrugada, destruiu parte da porta principal de acesso ao escritório, além de móveis e documentos que estavam no interior do local.

Repúdio
O presidente nacional do PT, Rui Falcão, repudiou a ocorrência. ;Inaceitável essa escalada de ódio contra o partido. Consequência da criminalização proporcionada por alguns setores da sociedade;, pontuou. Ainda segundo ele, ;o ataque é fruto de setores que insistem em propagar o golpismo, o ódio e ideias conservadoras;.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto, afirmou que atos de ;violência e de intolerância; são inaceitáveis. ;O ataque ao Instituto Lula é uma agressão à nossa democracia. O Brasil tem um histórico de diálogo pacífico e rejeição a atos violentos, que esperamos que continue e seja ampliado. Minha solidariedade ao ex-presidente Lula e a toda sua equipe de trabalho;, disse.


Reclamação de Lula é arquivada

A Corregedoria Nacional do Ministério Público (CNMP) arquivou reclamação feita a pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para apurar eventual desvio de conduta do procurador da República no Distrito Federal Valtan Furtado. A defesa do petista recorreu ao CNMP contra decisão do procurador de abrir uma investigação para apurar suposto tráfico de influência internacional envolvendo Lula a favor da empreiteira Odebrecht. Para o corregedor nacional do Ministério Público, Alessandro Tramujas Assad, Furtado apresentou explicações e, com isso, concluiu "pela inexistência de falta funcional". Lula poderá recorrer da decisão.







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