A alegria vem do Oriente

A alegria vem do Oriente

Começa hoje a 42ª quermesse do templo localizado na 315/316 Sul. Durante os fins de semana de agosto, os brasilienses serão brindados com música, dança, religiosidade e culinária típicas do Japão. A celebração é uma tradição de 2,5 mil anos

» CAMILA COSTA
postado em 01/08/2015 00:00
 (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)



A tradicional quermesse do Templo Budista de Brasília promete ser mais especial este ano por dois motivos. Será a primeira após o templo ser instituído como Patrimônio Histórico-Cultural da Capital Federal e comemorá os 120 anos de amizade entre o Brasil e o Japão. Por isso, o tema da 42; edição é Amizade, acolhimento e paz. A abertura será hoje, às 17h, na sede do templo, na 315/316 Sul. A expectativa é que cerca de 3 mil pessoas passem pelo local a cada noite, repetindo o público do ano passado. E a preparação está a todo vapor. Mais de 100 pessoas trabalharão para garantir o bom atendimento. Na programação, comidas típicas orientais e apresentações de dança. A quermesse pede, porém, uma contrapartida dos participantes: levar para a festa ;alegria, alegria e alegria;.

O pedido carinhoso é do monge responsável pelo templo, Shojo Sato. ;O convite é a alegria. Levando em conta, claro, a amizade, o acolhimento e a paz. E a relação do Brasil com o Japão mostra como isso deve ser feito. Que sirva de exemplo;, diz Sato, que está na capital desde 1986. ;Brasília tem uma coisa especial, que é a busca pelo ecumenismo, pela diversidade, além de um templo bonito, como em nenhum outro lugar;, pondera o monge, à frente do templo desde 1998 ; época em que se converteu ao budismo.

Apesar de ser uma grande festa, a quermesse não perde o sentido religioso. Muito menos a essência. Começou há 2,5 mil anos para prestar homenagem aos antepassados, como se os pais e os avós representassem Deus, por conta de todo o bem que fazem aos familiares. Essa, inclusive, é uma das principais concepções do budismo. A religião prega, entre outras coisas, o valor aos antepassados, o respeito e a admiração. ;Imagina se não fossem eles? Nem aqui estaríamos.; A festa tem ainda importância econômica, pois é dela que o templo tira a maior parte do sustento, além, claro, do sentido cultural. ;Graças ao templo, todos podem ter contato com outra religião e cultura. Hoje, não atende mais apenas aos japoneses. A luz de Buda é para todos;, afirma o monge.

A quermesse ocorrerá todos os fins de semana de agosto. Hoje, uma cerimônia religiosa abrirá as festividades. No encerramento, será realizada uma celebração para renovar a alegria. Ou seja, não é porque os dias de festa chegaram ao fim que há motivo para tristeza. ;Alegria é para o ano todo. Agradecemos pelos dias que tivemos e prometemos dar continuidade;, ensina Sato. Apresentações de artes marciais, da tradicional dança japonesa bon odori e de taikô (tambor, em japonês), além de oficinas de ikebana (arranjos florais japoneses) e de bonecos de Maringá fazem parte da programação.

No cardápio, yakissoba, camarões empanados, temakis, sushi, sashimi, tempurá e a famosa sopa japonesa de macarrão com legumes, a Udon. Uma dica é chegar cedo para evitar filas na hora de comprar as fichas. Durante a semana, o templo vende tíquetes de combos alimentares. A funcionária pública Dioney Magalhães Brito, 55 anos, vai à quermesse do Templo Budista há 31 anos. Segundo ela, é inexplicável a energia da festa. ;Só indo para saber. É muito especial, uma verdadeira celebração, num ambiente muito acolhedor;, define.

Por dentro

A festa que se popularizou com o nome de ;quermesse; é, na verdade, o Urabon, uma celebração da eternidade pela memória dos ancestrais dos participantes. No mesmo evento, pratica-se o Bon Odori, uma dança que imita movimentos de plantio e colheita, em agradecimento à natureza. A festa teve origem na palavra sânscrita ;ullambana;, que significa ;pendurar de cabeça para baixo;, numa metáfora de grande sofrimento.

Arquitetura
O prédio do Templo Budista de Brasília foi construído em 1973, dentro do estilo da arquitetura religiosa do Japão. Seguiu, além disso, a ideia de Juscelino Kubitschek de que o Plano Piloto deveria ser uma região ecumênica. À época, a comunidade hortifrutigranjeira japonesa, que residia em outras regiões administrativas, questionou a localização, hoje considerada nobre.

Programe-se

; Local: área externa do Templo Budista de Brasília (EQS 315/316)
; Data: sábados e domingos de agosto
; Horário: das 17h às 22h
; Entrada: doação de 1kg de alimento não perecível ou R$ 5
; Confira a programação completa no site: terrapuradf.org.br

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação