Camargo Corrêa fecha acordo de leniência

Camargo Corrêa fecha acordo de leniência

Empresa vai colaborar com as investigações do Cade sobre o suposto cartel formado para se beneficiar da construção da usina Angra 3. Ao menos sete empreiteiras fariam parte do esquema

EDUARDO MILITÃO JOÃO VALADARES
postado em 01/08/2015 00:00
 (foto: Vanderlei Almeida - 12/4/11)
(foto: Vanderlei Almeida - 12/4/11)


O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) fechou ontem acordo de leniência com a empreiteira Camargo Corrêa para investigar formação de cartel na construção da usina nuclear de Angra 3. O procedimento consiste em confessar crimes e apresentar provas para obter redução da punição. A apuração é decorrente da Operação Lava-Jato, na qual executivos da empresa confessaram irregularidades e apontaram outras em obras que extrapolam os limites da Petrobras. O acordo foi assinado em conjunto com a força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) que apura o esquema de corrupção na petroleira.

As empresas apontadas como participantes do cartel são Andrade Gutierrez, Norberto Odebrecht, Queiroz Galvão S/A, Camargo Corrêa, EBE ; Empresa Brasileira de Engenharia S/A, Techint Engenharia e UTC Engenharia. Há ainda 22 pessoas, entre funcionários e ex-funcionários das empresas, apontadas como integrantes do grupo.

O cartel agia de maneira semelhante ao que ocorria na Petrobras, como denunciaram outros delatores da Lava-Jato, a exemplo do presidente da Setal Óleo e Gás, Augusto Mendonça. Ele também assinou o mesmo tipo de acordo com o Cade. O pacto envolve não só a empresa, como funcionários, acionistas e até Dalton dos Santos Avancini, que era presidente da Camargo até o mês passado. Ele e o então vice-presidente, Eduardo Leite, fecharam acordo de delação com o Ministério Público.

Eles se comprometeram a trazer documentos e provas para investigar cartel de concorrentes na licitação de montagem eletromecânica de Angra 3, no Rio de Janeiro, entre 2013 e 2014. Os contratos fechados somam R$ 3 bilhões. O Cade negociava o pacto com a Camargo há cerca de quatro meses. Para firmar a leniência, a Camargo Corrêa incluiu documentos que indicariam a formação do cartel. Os dados englobam mensagens de correio eletrônico, marcação de reuniões, extratos de telefonemas e lances considerados suspeitos na licitação.

A acusação dos executivos da Camargo é que os consórcios UNA-3 (Andrade Gutierrez, Odebretch, Camargo e UTC) e Angra 3 (Queiroz Galvão, EBE e Techint) fizeram um ;grupão; ou ;conselhão; para fixar preços e dividir o mercado. ;As empresas do suposto cartel teriam decidido que, em vez de competirem livremente entre si, o consórcio UNA-3 (também chamado de G4) venceria ambos os pacotes a preço fixado entre as partes;, informa comunicado do Cade divulgado ontem.

;Há indícios, ainda, de que, após a divulgação das propostas, durante a fase de negociação do contrato junto aos consórcios por parte da Eletronuclear, os concorrentes se articularam para evitar descontos elevados;, informou o Cade. De acordo com o conselho, o material apreendido nesta semana, na Operação Radioatividade, a 16; fase da Lava-Jato, vai amparar o trabalho de investigação da Superintendência-Geral do Cade, espécie de ;polícia; do órgão.

Devolução
Na manhã de ontem, em cerimônia na sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, a petroleira recebeu R$ 139 milhões desviados pela organização criminosa e recuperados pela Operação Lava-Jato. O ex-gerente da estatal Pedro Barusco devolveu R$ 69 milhões. A estatal já havia recebido, em outra ocasião, R$ 157 milhões.

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