Cuidados com os peixes

Cuidados com os peixes

postado em 01/08/2015 00:00
Na gestação de Daniela Goes de Oliveira, 35 anos, não foi preciso apelar para suplementos nutricionais de ômega-3. ;Não vi necessidade porque sempre fui de comer peixe e, na gravidez, não tive nenhuma restrição;, conta. Para a alegria da bombeira que adora salmão, até mesmo o sushi foi liberado após o quarto mês ; por ser crua, a iguaria deve ser evitada no começo da gestação para evitar a ocorrência de infecções. Os desejos de grávida não poderiam ter sido outros: ;Comer peixe com banana;, conta. ;Engraçado que, há duas semanas, saí com meu filho para comer peixe com banana, dei um pedacinho para ele e ele adorou. Parece que reconheceu;, diz.

A bombeira está começando a introduzir outros alimentos para Isaac, de 7 meses, que ainda mama no peito. A qualidade da alimentação de Daniela e do bebê se reflete na saúde do menino: ;Ele tem tamanho de 1 ano, é um tourinho;, orgulha-se a mãe. Nem todo mundo, porém, gosta tanto assim de peixe, principalmente os de gosto forte. E é justamente o DHA que confere o sabor acentuado à iguaria.

Por outro lado, os peixes de águas profundas podem conter níveis altos de mercúrio e outros metais pesados, o que, segundo pesquisas, teria implicações negativas para o desenvolvimento fetal. Outro problema com determinados tipos, como o salmão, é que, ao serem criados em cativeiro, não se alimentam de algas, que são a fonte de DHA dos peixes. Por isso, o pediatra Mário Falcão acredita que as gestantes e lactantes deveriam ser orientadas a fazer a suplementação nutricional com ômega-3, assim como já se faz, hoje, com ácido fólico.

O médico, contudo, alerta: ;O DHA não faz milagre. Ele faz parte de um grupo de neuronutrientes que têm um impacto sobre o cérebro, mas não adianta nada tomar suplemento se a criança não tiver estímulos. O desempenho cognitivo dela é 1/3 genética, 1/3 nutrição e 1/3 estímulo;, ensina.

Faltam provas
Luciano Borges Santiago, presidente do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria, discorda da necessidade de fazer suplementações. ;Os estudos não conseguem provar se essa possível deficiência (do DHA no leite materno de quem não se alimenta suficientemente de peixe) afetaria o desenvolvimento da criança. O DHA é uma substância importante, mas o leite materno é completo, não existe ;leite fraco;;, justifica.

De acordo com o médico, mesmo mães desnutridas conseguem passar para o filho quantidades suficientes de todas as substâncias de que o bebê precisa, a não ser em caso de carências nutricionais gravíssimas. ;Acho precipitado concluir que a suplementação terá algum benefício, não estou convencido disso;, afirma. Em um comunicado técnico, a Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que ;mais pesquisas são necessárias antes que recomendações específicas possam ser feitas;. (PO)

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