Crise faz prova perder pilotos

Crise faz prova perder pilotos

O tradicional evento off road do Brasil amarga queda no número de competidores, freados pela falta de dinheiro

Maíra Nunes
postado em 01/08/2015 00:00
 (foto: Webventure/Divulgação - 20/8/12)
(foto: Webventure/Divulgação - 20/8/12)



Os 34 pioneiros do Rally dos Sertões, que em 1993 cortaram 3.500km de Campos do Jordão (SP) até Natal (RN), eram motoqueiros. Desde então, o evento cresceu, integrou novas categorias, ganhou status de uma das maiores competições off road do mundo, mas, nos últimos anos, tem sentido os efeitos da crise econômica. O número de veículos inscritos nesta edição, 114, é o mais baixo desde 1998, que teve 93. Hoje, eles largam de Goiânia (GO), rumo a oito dias de rali.

A frota de 114 veículos é pequena se comparada também à do recorde, de 10 anos atrás, quando o evento contou com o dobro de participantes. É que, nas atuais conjunturas financeiras do país, nem todos estão dispostos a gastar cerca de R$ 250 mil com a aventura. A inscrição de um carro pode chegar a R$ 16.610, mas os maiores gastos são com o preparo do veículo e toda a estrutura de apoio que acompanha os competidores.

Uma das soluções para driblar o peso que a competição traz para o bolso dos apaixonados pelos Sertões foi a introdução de categorias ;mais em conta;. Os UTVs, da sigla em inglês Utility Task Vehicle ; algo como Veículo Utilitário Multitarefa ;, são prova disso. A estrutura, o designer e o motor deles parecem muito com os dos quadriciclos. Mas, como contam com uma ;gaiola; de proteção e atingem 130km/h, lembram mais um carro bem compacto e sem vidros.

;Claro que eu prefiro competir de carro, mas o UTV foi a forma que encontrei de continuar correndo no Rally dos Sertões;, disse o piloto brasiliense Elson Cascão, que se prepara para a 13; participação.

Mesmo que os valores da logística ; que envolve uma equipe com 15 pessoas ; permaneçam altos, o investimento com um UTV, por exemplo, não é tão pesado se comparado à categoria dos carros. ;Com os custos menores, temos condições de levar um veículo extra para termos todas as peças de reposição. E, mesmo levando dois UTVs, vamos gastar quase R$ 100 mil a menos do que se fossemos de carro;, comparou.

Ideia no papel

Nos quatro anos da inserção da UTV, o número de veículos inscritos na categoria subiu de 11 para 30. No mesmo período, a quantidade de carros caiu de 46 para 39. Há 10 anos, os carros dominavam a competição:
eram 113, quase a quantidade total de veículos inscritos para o Rally dos Sertões 2015. Diante de um panorama pouco animador, a organização do evento chegou a anunciar uma categoria voltada para amadores. Isso mesmo, se você quisesse, poderia disputar uma das maiores provas off road do país.

Nela, o interessado usaria o próprio carro ; com as adaptações básicas para andar em terrenos irregulares ;, mas não precisaria arcar com toda a parafernália de praxe. Desembolsaria ;apenas; R$ 30 mil. Caso preferisse colocar a moto ou o quadriciclo na estrada, o preço cairia pela metade. Por ser voltada para pilotos inexperientes, a inscrição incluiria cursos antes e orientações durante a prova, além de transporte de equipamento e infraestrutura de acampamento e alimentação.

Tudo bem arquitetado na teoria, mas não na prática. ;Criamos uma coisa interessante, com um conceito legal para atrair o cara que tem vontade de fazer os Sertões, mas acha que não pode. Porém, faltou trabalhar melhor a divulgação;, disse Roque Mendes, diretor comercial da competição, explicando os motivos de a categoria não ter sido efetivada. ;Com mais tempo, queremos aperfeiçoá-la para podermos abrir nas próximas edições;, emendou.

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