Nós e nossos vizinhos

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10ª Bienal do Mercosul terá número recorde de obras e concentrará unicamente artistas latino-americanos

Nahima Maciel
postado em 01/08/2015 00:00






É um retorno à origem que a 10; Bienal do Mercosul vai propor aos visitantes a partir de 8 de outubro em Porto Alegre. Com o título de Mensagens de uma nova América, a maior bienal ao sul do Equador vai reunir 402 artistas de 21 países, a maior quantidade de nomes desde a primeira edição do evento. No total, serão 700 obras divididas em sete exposições repartidas por três módulos.

A intenção do curador-chefe ,Gaudêncio Fidelis, que trabalhou com seis curadores assistentes, foi atrair o olhar do público exclusivamente para a arte latino-americana. Criada em 1997 com uma primeira edição inteiramente consagrada à produção do continente, a Bienal do Mercosul tomou diferentes formas ao longo dos anos e, nas últimas edições, passou a ser palco também para artistas de outros continentes numa tentativa de se adaptar ao circuito de megaexposições. Agora, Fidelis propõe uma reflexão sobre o lugar e o papel do evento.

O curador acredita que, num universo de centenas de bienais espalhadas pelo mundo, é preciso que a do Mercosul retorne à origem. ;Para mim, era muito claro que o papel era de ser uma plataforma para dar visibilidade, legibilidade e recepção à arte latino-americana;, explica Fidelis. ;Isso destacaria a Bienal do Mercosul das outras existentes hoje. A primeira, curada pelo Frederico de Morais, tinha uma vocação muito evidente de ser uma plataforma para a arte da América Latina. Procuramos voltar a essa vocação.;

O viés histórico será um fio condutor da mostra, mas o curador garante que não se trata de uma retrospectiva. ;Não pretendemos contar uma história da arte na América Latina e também não é uma exposição cronológica. Estamos buscando fazer com que as obras pontuem determinadas questões através de exposições específicas, que são autônomas, mas não isoladas. Elas procuram dar conta de um grupo de problemas que identificamos no início como sendo importantes para a produção de toda a região;, explica.

A perspectiva histórica abrange praticamente todos os movimentos artísticos brasileiros com obras que vão de Aleijadinho, passam por Pedro Américo, Victor Meireles, Tarsila do Amaral, Lygia Clark, Lígia Pape, Hélio Oiticica e os contemporâneos Ernesto Neto, Beatriz Milhares e Adriana Varejão. Num universo mais amplo, entram também obras de arte pré-colombiana e nomes históricos do continente, como Diego Rivera e José Clemente Orozco.

Curiosidades
Fazem parte das problemáticas pontuadas pela mostra as heranças modernistas, a vida nas metrópoles latino-americanas, a importância das raízes barrocas, a história da indumentária na arte e as relações com o corpo, além da importância da diversidade na formação dos povos do continente. Entre as curiosidade estão Olfatório: o cheiro na arte, dedicada ao olfato, e Marginália da forma, com nomes pouco conhecidos ou que receberam pouca atenção da crítica.

Não haverá obras comissionadas nesta Bienal, que em tempos de crise precisou reduzir o orçamento. A captação de recursos só será encerrada em dezembro, mas até agora o orçamento é de R$ 6,4 milhões, quase metade da 9; bienal, que foi de R$ 12,53 milhões. No entanto, o curador garante que o caráter museológico não ajudou a baratear o evento, já que muitas obras são históricas e precisam de seguro, além de uma logística de transporte mais complicada do que obras comissionadas para a exposição.

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