Jihadistas sequestram 230 cristãos na Síria

Jihadistas sequestram 230 cristãos na Síria

Arcebispo de Homs confirma ao Correio que grupo levou os reféns, após captura da cidade de Al-Qaryatain. Em Mossul, terroristas executaram 2 mil

Rodrigo Craveiro
postado em 08/08/2015 00:00
 (foto: Shah Marai/AFP)
(foto: Shah Marai/AFP)


Os jihadistas do Estado Islâmico (EI) consolidaram o controle sobre Al-Qaryatain, a 120km de Homs (oeste da Síria), na quinta-feira. ;Pelo menos 300 famílias cristãs moram na cidade. Há três dias, o Daesh (acrônimo árabe para o EI) entrou em Al-Qaryatain e sequestrou 230 pessoas, todas elas cristãs;, contou ao Correio, por telefone, Selwanos Butros Alnehmeh, arcebispo sírio-ortodoxo de Homs. ;Não sabemos qual é a situação. Não conseguimos contato com ninguém de lá. Não sabemos se essas pessoas estão vivas ou mortas. Não sabemos de nada;, lamentou o religioso. Segundo ele, o EI deseja capturar os cristãos para convertê-los ao islã. ;Eles são obrigados a dar dinheiro para o Daesh e permanecer fora da cidade. Caso contrário, serão mortos;, disse.

Selwanos tem medo. Ele afirma que sua igreja concentra muitos fiéis de outras cidades. ;O Daesh pode invadir outros locais onde há cristãos, além de Al-Qaryatain, e matar várias pessoas. A situação é muito difícil;, comentou o arcebispo. O objetivo do grupo extremista, na opinião dele, seria varrer os cristãos do Oriente Médio. O líder religioso reclama da pouca ajuda da comunidade internacional, mas reconhece o envolvimento do Brasil em receber refugiados do país.

Porta-voz da União Siríaca da Europa (em Bruxelas), David Vergili relatou à reportagem que os confrontos prosseguiam ao redor de Al-Qaryatain. ;Nessa região, o cristianismo é bem disseminado e atinge as cidades de Sadad, Homs, Hama e o Vale Cristão;, afirmou. De acordo com ele, os 230 moradores de Al-Qaryatain foram surpreendidos durante seus afazeres diários. ;Sabemos que alguns refugiados que conseguiram abandonar a localidade saíram sem nada, exceto pela roupa do corpo. Nesse sentido, há um aspecto humanitário urgente.;

Para Vergili, o EI representa uma ameaça aos cristãos na Síria, no Iraque e em todo o Oriente Médio. ;O Estado Islâmico demonstrou sua atitude em relação aos cristãos em Mossul e na Planície do Nínive, onde forçaram ao êxodo de 120 mil pessoas. Desde o último ano, os jihadistas destruíram igrejas e monastérios, e aniquilaram tudo o que era ligado ao cristianismo;, disse. O ativista não descarta o risco da extinção da comunidade cristã do Oriente Médio. ;Os cristãos, caldeus, siríacos e ssírios demandam um corredor seguro e uma zona de proteção na Planície do Nínive;, concluiu.

Massacre
Autoridades iraquianas anunciaram ontem que o EI executou 2.070 pessoas em Mossul e em seus arredores desde 10 de junho de 2014, quando os jihadistas capturaram a segunda maior cidade do Iraque. Os militantes do EI relacionaram os nomes dos mortos e afixaram a lista nas paredes do Ministério da Saúde, com uma ordem de emissão de atestados de óbito.




Sexta-feira sangrenta no Afeganistão
O engenheiro afegão Obaidullah Rahimi Mashwani, 25 anos, acordou por volta de 1h30 de ontem (19h30 de quinta-feira em Brasília) com o som de uma violenta explosão. ;Foi terrível. Pensei que ela tivesse ocorrido perto de meu quarto. Fiquei com medo e não fechei os olhos até de manhã;, contou ao Correio o morador de Cabul. Um caminhão-bomba tinha acabado de ir pelos ares no bairro residencial de Sha Shaheed (foto), abrindo uma cratera de 10m de profundidade e matando 15 pessoas, além de deixar 240 feridas. ;O filho de um colega morreu. Outro amigo me contou que conhecia seis pessoas de uma mesma família dizimada;, disse. O presidente Ashraf Ghani visitou sobreviventes em um hospital administrado pela ONG italiana Emergency. Poucas horas depois, um homem-bomba se explodiu em meio a um grupo de cadetes que voltavam de uma folga, na entrada de uma academia de polícia ; o ataque custou a vida de 20 agentes. Um terceiro atentado teve como alvo uma área ao norte do aeroporto e foi seguido por tiros. ;Eu escutei uma grande explosão, bem perto de onde moro. As sirenes do aeroporto soaram, e caças e helicópteros sobrevoaram Cabul;, relatou à reportagem Hamid Majeed, 40 anos, funcionário de uma universidade particular. Foram a primeira ofensiva de impacto na capital afegã desde a nomeação do mulá Akhtar Mansur como sucessor do mulá Omar no comando do Talibã. (RC)



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