Acidente aéreo

Acidente aéreo

Aeronave da companhia Trigana Air se choca contra montanha na província de Papua, segundo testemunhas. Não há notícia de sobreviventes

postado em 17/08/2015 00:00
 (foto: Indrayadi/AFP)
(foto: Indrayadi/AFP)



Destroços do avião da companhia indonésia Trigana Air que desapareceu dos radares na tarde de ontem (madrugada em Brasília) foram encontrados em uma região montanhosa no oeste da província de Papua, na fronteira com Papua Nova-Guiné. Segundo a rede britânica BBC, autoridades do país confirmaram que partes da fuselagem foram localizadas por habitantes da área. ;Residentes forneceram informações de que a aeronave colidiu com a Montanha Tangok;, informou o Diretório-Geral de Transporte Aéreo indonésio. Ao menos 54 pessoas (incluindo tripulação) estavam a bordo da aeronave, e equipes de resgate foram enviadas ao local, apesar das incertezas em relação a existência de sobreviventes.

A queda do avião da Trigana Air entra para o rol de desastres aéreos que ocorreram no sudeste asiático nos últimos anos (leia Memória). A aeronave, um bimotor modelo ATR42-300, fazia o percurso entre as cidades de Jayapura e Oksibil, na província de Papua. A decolagem ocorreu às 14h33 (hora local), e o avião perdeu contato com a torre de controle 10 minutos antes do horário previsto para o pouso.
Até o fechamento desta edição, as possíveis causas da queda da aeronave não estavam claras. Autoridades, porém, relataram que as condições climáticas eram instáveis. Uma aeronave chegou a ser enviada minutos após o desaparecimento do ATR42-300 para tentar localizá-lo, mas foi forçada a retornar devido ao mau tempo.

;Oksibil é uma zona montanhosa, onde o tempo é muito imprevisível. De repente, pode ficar nebuloso, escuro e com ventania;, explicou o capitão Beni Sumaryanto, diretor de operações da Trigana Air. ;Suspeitamos claramente que é um problema relacionado com o tempo;, acrescentou, em comunicado, o Diretório-Geral de Transporte Aéreo. ;Não se trata de uma superlotação, já que o avião podia transportar 50 passageiros.; Entre as pessoas a bordo, estavam cinco crianças e cinco tripulantes. O presidente da Indonésia, Joko Widodo, expressou solidariedade às famílias dos passageiros. ;Vamos rezar juntos;, escreveu, em sua página no Facebook.

Insegurança
A companhia aérea de pequeno porte foi fundada em 1991 e oferece voos domésticos para 40 destinos na Indonésia. Aeronaves de pequeno porte costumam realizar o trajeto nas áreas montanhosas de Papua. Segundo a BBC, a Trigana Air está na ;lista negra; de companhias indonésias da União Europeia desde 2007, devido ao não cumprimento de normas de segurança. A organização Aviation Safety Network registou 14 incidentes graves de segurança envolvendo a empresa desde 1991, incluindo a perda de 10 aeronaves.

As condições de tráfego na região de Papua são apontadas como um dos fatores para a queda de aeronaves na área, mas a ausência de rigor na fiscalização da aviação civil no país é alvo de críticas contra o governo. Na última quarta-feira, um jato Cessna da companhia Komala Air caiu no distrito de Yahukimo, também em Papua, deixando um morto e cinco feridos. Em julho passado, a morte de 140 pessoas na queda de um avião militar em uma área residencial de Medan forçou o presidente Widodo a prometer melhores condições de tráfego.


Choque no ar

Quatro pessoas morreram depois que dois pequenos aviões se chocaram no sul da Califórnia, perto da fronteira com o México. Um dos aviões era um Sabreliner de dois motores, e o outro, um Cessna 172 de um só motor. Eles bateram perto do aeroporto de Brown Field, em San Diego, informou o jornal Los Angeles Times. O choque causou a morte dos quatro passageiros e pequenos incêndios florestais, de acordo com o San Diego Union-Tribune.


Memória

Área de acidentes


Desastres aéreos de grandes proporções marcaram a história recente do sudeste asiático. Em dezembro passado, um avião da Air Asia, que operava o voo QZ8501, entre a cidade indonésia de Surabaya e Cingapura, caiu no mar de Java. Na ocasião, 192 pessoas morreram. A aeronave caiu 40 minutos após a decolagem, em meio à formação de uma tempestade na região. O piloto chegou a solicitar permissão para alterar o curso do avião e elevar a altitude. Quando a torre de controle deu o aval, no entanto, o contato com o jato da Air Asia foi interrompido. Meses antes, em março de 2014, voo da Malasyia Airlines que transportava 227 passageiros e 12 tripulantes, desapareceu dos radares após aproximadamente uma hora de voo sobre o Golfo da Tailândia. O voo MH370 ia de Kuala Lumpur, na Malásia, para Pequim, na China. Na semana passada, destroços encontrados no litoral das Maldivas alimentaram esperanças de encontrar o avião, que continua desaparecido. Pericias realizadas nas peças, no entanto, indicaram que as peças não eram do Boeing 777-200 da Malaysia Airlines. No início do ano, o governo da Malásia declarou oficialmente mortos os desaparecidos no acidente.


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