Balas no Lago

Balas no Lago

Dois pescadores voltam a fisgar projéteis de fuzil sob ponte da QI 17. Até o fim da tarde, a PM havia recolhido 250 balas. São mais de 1,2 mil no mesmo ponto

» MARIANA LABOISSIÈRE » THAÍS PARANHOS
postado em 17/08/2015 00:00
 (foto: Andre Violatti/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Andre Violatti/Esp. CB/D.A Press)




Em meio a uma investigação da Polícia Civil para descobrir a origem de mais de 1 mil projéteis de uso restrito das Forças Armadas encontrados em um braço do Lago Paranoá há uma semana, policiais militares recolheram mais munição no espelho d;água ontem à tarde. Por volta das 13h, dois homens pescavam, sentados sobre uma ponte na QI 17 do Lago Sul, quando três cartuchos ficaram presos ao anzol da vara de um deles. Os pescadores telefonaram para o 190, o telefone de emergência da Polícia Militar. Até o fechamento desta edição, mais de 30 pentes com oito balas de calibre .7mm em cada um, usadas em fuzis, haviam sido retiradas do lago por megulhadores da corporação. Fora os projéteis que estavam soltos, totalizando mais de 250. As balas são capazes de derrubar aeronaves e de varar a blindagem de carros-fortes.

A operação para retirar a munição do Ribeirão do Gama (afluente do Lago Paranoá), durou toda a tarde e deve continuar hoje. Três mergulhadores do Batalhão de Operações Especiais (Bope) participaram da varredura ontem. A PM não descarta o uso de cilindros para buscar mais projéteis que possam ter sido descartados. Com o mergulho, sedimentos são levantados do fundo do ribeirão, fazendo com que a água fique turva. Por isso, são necessárias pausas entre os períodos de buscas. De acordo com o soldado Régis Morais, do 5; Batalhão de Polícia Militar (BPM), a munição encontrada não é de fabricação nacional e tem uso restrito.

A movimentação próximo ao Lago Paranoá atraiu a atenção de curiosos. Uma das pistas do Lago Sul, no sentido Plano Piloto, ficou interditada para o trabalho do Bope. A operação também deixou o trânsito lento no local. Um cágado que tentava atravessar a rua foi atropelado em frente à ponte onde os policiais faziam a busca. Ele teve um ferimento na pata e o Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) foi chamado para socorrê-lo. Eles levaram o animal ao Hospital Veterinário da Universidade de Brasília (UnB), onde passará por tratamento.

A área só será liberada para os pescadores e para a população local após os mergulhadores retirarem todos os projéteis do fundo do lago, de acordo com o capitão do Bope Renan Arakaki de Oliveira. ;A cor da água no Lago Paranoá é sabidamente mais escura. É mais fria nesse período do ano e tem grande quantidade de sedimentos, tudo isso dificulta o trabalho da Polícia Militar;, explicou. O material será encaminhado para a perícia. Ele garantiu que a PM trabalha de forma preventiva e afirmou não ser comum esse tipo de ocorrência. ;Qualquer munição e armamento em mãos erradas é um perigo;, ressaltou.

Sem pistas


Na semana passada, um pescador encontrou uma caixa cheia de projéteis de diferentes calibres embaixo da mesma ponte e ligou para o serviço 190. O objeto ficou preso no anzol e chamou a atenção do homem. Os policiais do 5; BPM foram até o local após o chamado e encontraram a munição de fuzil restrita às Forças Armadas, com o mesmo potencial destrutivo das achadas ontem.

Cinco mergulhadores e outros 11 policiais foram acionados naquele dia para pegar a munição que estava dentro do lago. Ao todo, eles encontraram 947 projéteis. Os militares desconfiavam que o material tenha sido descartado por criminosos. Provavelmente, bandidos especializados em explosões de caixa eletrônico, crime que tem cada vez mais frequente no Distrito Federal.

Assim como os primeiros projéteis encontrados, os de ontem estão em boas condições e não aparentam estar no fundo do lago há muito tempo. Não foi verificado, por exemplo, ferrugem neles.

O caso é investigado pela 10; Delegacia de Polícia (Lago Sul). A Divisão de Comunicação da Polícia Civil confirmou o registro da ocorrência, mas não deu detalhes sobre as investigações.

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