A Esplanada dos insatisfeitos

A Esplanada dos insatisfeitos

Cerca de 25 mil pessoas cobram o impeachment de Dilma. Temer, Renan e Cunha também são alvos do protesto brasiliense

» Marcella Fernandes » Matheus Teixeira » Isabela de Oliveira
postado em 17/08/2015 00:00
 (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)






Manifestantes se reuniram na Esplanada dos Ministérios no terceiro grande protesto do ano na capital contra a corrupção e a favor da saída da presidente Dilma Rousseff. Foram cerca de 25 mil pessoas, de acordo com a Polícia Militar, mesmo número do último ato, em 12 de abril. Já a estimativa dos organizadores é de 70 mil. Além de Dilma, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT foram os principais alvos de crítica. A concentração começou por volta das 9h, em frente ao Museu Nacional Honestino Guimarães, e teve o momento de pico por volta de 11h30, em frente ao Congresso Nacional. No local, três trios elétricos fizeram um breve discurso e cantaram o Hino Nacional. O protesto começou a dispersar por volta de 12h15.

O clima foi pacífico e nenhuma ocorrência foi registrada pela PM, que contou com 2 mil policiais na Esplanada. Foram feitas revistas em mochilas para impedir a entrada de máscaras, hastes de bandeiras, garrafas de vidro e outros materiais que poderiam ser usados como arma. A proteção do Congresso foi feita por 200 policiais legislativos. O trânsito, interrompido na altura da Rodoviária desde as 6h, foi liberado às 15h40.

A cuidadora de idosos Fabiola Pacheco, 40 anos, moradora do Guará, que também participou dos últimos protestos, foi de metrô. ;Os vagões estavam cheios para um domingo, com muitas pessoas viajando em pé. Estavam todos vestindo verde e amarelo e muito tranquilos, não observei nenhuma confusão. Vieram muitas famílias;, disse. Nas ruas havia bebês, crianças, idosos, famílias e ciclistas.

Uma faixa de 100 metros com a palavra ;impeachment; foi estendida em frente ao espelho d;água do Congresso. Também chamaram atenção um boneco inflável do ex-presidente Lula com uniforme de presidiário e uma cela com presos na Operação Lava-Jato, que investiga desvios de recursos na Petrobras. Atrás das grades, estavam bonecos do ex-ministro José Dirceu, do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró. Depois, figuras da presidente e de Lula foram adicionadas.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o vice-presidente da República, Michel Temer, também foram alvo de protestos. Já a opinião sobre o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ficou dividida. Uma das faixas dizia ;Fora, Cunha;, mas alguns manifestantes o defenderam e pressionaram para que acelerasse o pedido de impeachment de Dilma.

Sérgio Moro

Para o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava-Jato na primeira instância, e para o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sobraram elogios. Vestidas com camisetas com a foto de Moro, três amigas exigiam a saída da presidente Dilma. ;Esse desgoverno está destruindo o Brasil. Não podemos deixar que se mantenham no poder;, afirmou a administradora Vera Teles, 49 anos. Durante o protesto, foram coletadas assinaturas para projetos de lei de iniciativa popular contra desvios de recursos públicos, sendo um deles baseado nas 10 medidas contra a corrupção elaboradas pelo Ministério Público Federal (MPF). Participaram da organização do protesto pelo menos quatro grupos: Vem pra Rua, Movimento Brasil Livre, Revoltados Online e Nas Ruas.

Os irmãos Antônio Alves da Silva, 32 anos, e Deuzimar Alves da Silva, 35, não passaram despercebidos na multidão. Ao contrário dos demais manifestantes, que vestiam uniformes da Seleção Brasileira ou qualquer outra roupa com as cores da bandeira nacional, a dupla portava, nas mãos, e em mochilas, cerca de 200 camisetas amarelas, com os dizeres em vermelho, ;Fora, Dilma; e ;Fora, PT;, todas confeccionadas por eles próprios. A ideia era vender cada uma por R$ 10, exatamente como fizeram nas duas manifestações do primeiro semestre.

O lucro obtido nos protestos anteriores, entretanto, nem se compara ao de ontem. ;Antes ganhamos mais. Talvez seja a crise, talvez as manifestações estejam mais vazias;, disse Deuzimar, acrescentando que, na percepção dele, os protestos de março e abril contaram com mais apoio popular. Apesar disso, nenhum dos dois moradores de Recanto das Emas considerou a viagem perdida. ;Queremos que ela (Dilma) saia, e aí resolvemos pegar carona para tentar ganhar um dinheiro extra;, contou Deuzimar.


Perfil em redes sociais

O boneco inflável de Lula foi o destaque da manifestação em Brasília ontem. Segundo Ricardo Honorato, coordenador do Movimento Brasil no Distrito Federal, a peça de 12 metros custou R$ 12 mil e foi paga com recursos da organização. ;O financiamento é feito pelos membros do nosso grupo, presente em 23 estados e no DF;, disse ao Correio. Internautas criaram perfis do boneco em redes sociais ontem. Por meio de nota, o Instituto Lula criticou a alegoria e disse que o ex-presidente ;nunca cometeu qualquer irregularidade;.


POVO FALA

POR QUE VOCÊ PARTICIPOU DO ATO CONTRA O GOVERNO?


Rita Moreira,
65 anos, dona de casa

;Acordamos cedo para vir à marcha, assim como fizemos nas duas anteriores. Do jeito que está,
não dá para continuar. O PT tem que sair do poder, ninguém aguenta mais a roubalheira;


Cristina Veloso,
53 anos, servidora pública

;Quem entraria no lugar? O vice Michel Temer? O presidente da Câmara, Eduardo Cunha?
Antes de qualquer coisa, temos que lutar pelo fim da corrupção;


Bruno Guimarães,
54 anos, professor e empresário

;Nós queremos tirar a Dilma. Somos autores do 12; pedido de impeachment por ela ter
recebido dinheiro de forma ilícita na campanha, pelas pedaladas fiscais e também por fraude eleitoral;

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