Cresce expectativa quanto a denúncias contra Cunha e Collor

Cresce expectativa quanto a denúncias contra Cunha e Collor

postado em 17/08/2015 00:00
 (foto: Evaristo Sa/AFP - 20/3/15)
(foto: Evaristo Sa/AFP - 20/3/15)




A Procuradoria-Geral da República (PGR) deve apresentar, nos próximos dias, as denúncias contra o senador e ex-presidente da República Fernando Collor de Melo (PTB-AL) e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Nos bastidores, circula a informação de que os procedimentos já estão prontos. Os dois devem ser enquadrados por corrupção e lavagem de dinheiro. O peemedebista foi acusado pelo executivo da Toyo Setal Júlio Camargo, um dos delatores do esquema que apura desvios da Petrobras no âmbito da Operação Lava-Jato, de receber US$ 5 milhões de propina para viabilizar contratos de aluguel de navios-sonda da Samsung com a estatal. Cunha nega a acusação.

O delator ressaltou que o suborno, referente a dois contratos que somavam R$ 1,2 bilhão, assinados entre 2006 e 2007, foi pago por intermédio de Fernando ;Baiano; Soares ; apontado como um dos operadores do PMDB no esquema ; e que o doleiro Alberto Youssef participou da transação. O valor total devido em propina pelo executivo era US$ 10 milhões. Uma parte era destinada para Baiano e a outra, para Cunha. Júlio Camargo apresentou planilhas para provar os repasses feitos em contas do exterior e também pagos diretamente às empresas de Baiano.

No depoimento, Camargo ofereceu muitos detalhes das conversas. Disse que se reuniu pessoalmente com Cunha, num domingo à tarde, em um edifício comercial no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro. O presidente da Câmara, de acordo com o delator, afirmou que o pagamento estava atrasado e que ele tinha compromissos. ;Tivemos um encontro, o deputado Eduardo Cunha, Fernando Soares e eu. Eu fui bastante apreensivo. O deputado Eduardo Cunha é conhecido como uma pessoa agressiva, mas confesso que comigo foi extremamente amistoso, dizendo que ele não tinha nada pessoal contra mim, mas que havia um débito meu com o Fernando Baiano, do qual ele era merecedor de US$ 5 milhões;, ressaltou.

Carros de luxo
Já o ex-presidente da República é apontado como recebedor de R$ 26 milhões em suborno, entre 2010 e 2014. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou manifestação ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que os carros de luxo de Fernando Collor, apreendidos na Operação Lava-Jato, não sejam devolvidos ao parlamentar. No documento, o procurador-geral narra que os veículos são possivelmente produto de crime.

Entre 2011 e 2013, Collor teria recebido cerca de R$ 800 mil em depósitos ;fracionados;, o que levantou suspeita do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O relatório das investigações, enviado ao STF, menciona ainda pagamentos de altos valores em espécie para o parlamentar, como depósito de R$ 249 mil feito pela TV Gazeta da Alagoas, da qual o senador é sócio. Collor nega as acusações.

Em resposta ao pedido para anular provas colhidas contra Eduardo Cunha, Janot afirmou, em documento enviado ao STF, que a Câmara atuou em interesse particular do parlamentar. Conforme a Procuradoria-Geral da República, há conflito de interesse entre o público e o privado. ;O inquérito em epígrafe investiga criminalmente a pessoa de Eduardo Cunha, que tem plenitude de meios para assegurar sua defesa em juízo e, como seria de se esperar, está representado por advogado de escolha;, escreveu Janot na peça remetida ao Supremo. Apesar disso, o deputado ;solicitou a intervenção da advocacia pública em seu favor, sob o parco disfarce do discurso da defesa de prerrogativa institucional;, complementou.



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