Mais perguntas que respostas

Mais perguntas que respostas

Lleonardo Meireles leonardomeireles.df@dabr.com.br
postado em 17/08/2015 00:00


Nossa editora, Ana Dubeux, publicou em uma rede social a entrevista que dom Sergio da Rocha, arcebispo de Brasília, concedeu ao Correio. Em um dos comentários, uma pessoa pediu que fossem publicadas matérias do mesmo tipo com outras lideranças religiosas. Não há como não concordar. Afinal, existem milhões de pessoas que seguem com confiança as palavras de tais líderes. Mas até que ponto existe correção, sintonia e verdade do discurso deles com a realidade? Até onde pode ir a influência de uma igreja no Estado?

Segundo dados do IBGE, no Brasil existem cerca de 123,2 milhões de católicos apostólicos romanos; 42,2 milhões de evangélicos; 3,8 milhões de espíritas; 407,3 mil umbandistas; 243,9 mil budistas; 107,3 mil judeus; e 35,1 mil adeptos do islã (entidades representantes da religião apontam número bem maior, perto de 1,5 milhão). Onde estão os líderes espirituais de tantas pessoas para cobrar dos políticos a retidão de atitudes? Por que não atuam mais intensamente para que as promessas feitas durante a campanha sejam cumpridas?

Os leitores podem dizer que lideranças evangélicas entraram no mundo eleitoral e alguns representantes das várias correntes (principalmente do protestantismo neopentecostal) estão envolvidos em escândalos de corrupção. Mas esses não estão ali pela religião. E também não é a intromissão estúpida das igrejas no Estado. O governo está aí também para cuidar dos 15,3 milhões de pessoas que não têm religião no país e daqueles que não estão muito a fim de seguir ao pé da letra dogmas e catecismos. A aprovação do aborto ou do casamento homossexual não vai fazer Deus se virar contra nós. Mas, e a hipocrisia e as falhas de líderes religiosos em assuntos financeiros? A fé justifica desvios de verbas ou de influência?

As cobranças feitas por dom Sergio ; influenciadas diretamente pela postura responsável adotada por Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco ; encontraram eco na sociedade em geral, não somente entre os católicos. A responsabilidade de outros líderes é também conscientizar politicamente os seguidores e responder às perguntas acima. Hoje, eles tomam conta não de ovelhas, mas de fiéis bastante inteligentes. E que querem ouvi-los.

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