O negócio é unir esforços

O negócio é unir esforços

A onda do coworking, em que profissionais de ramos diversos compartilham o mesmo ambiente de trabalho, ganha adeptos na cidade

» CAMILA COSTA
postado em 17/08/2015 00:00
 (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)





OO que você diria de um ambiente de trabalho em que o freezer tem cerveja à vontade, existe uma mesa de guloseimas no modelo self-service ; pega, paga e leva o troco sem ninguém vigiar ;, e que tem, em um mesmo ambiente, diversas empresas de segmentos diferentes (eventualmente, com clientes e fornecedores em comum)? Parece um modelo eficaz de fracasso. No entanto, cada dia mais cresce no Brasil e no mundo esse esquema de trabalho, o coworking. Nada mais é do que um jeito de freelancers e autônomos se relacionarem entre si, dentro de um mesmo escritório, com toda a estrutura necessária e os custos divididos e pagos em forma de mensalidade. Em Brasília, por exemplo, são mais de 10 espaços compartilhados, com cerca de 500 empresas formando um verdadeiro ecossistema de negócios.

Em 9 de agosto, o modelo foi celebrado ao redor do mundo. No Coworking Day, empresários e autônomos podem escolher um dos escritórios compartilhados e trabalhar o dia todo, com toda estrutura, para conhecer como funciona o esquema na prática. Tudo de graça. Várias empresas do DF abriram as portas para a experiência. Uma delas foi a 4Legal. Ela funciona há um ano e quatro meses em um ambiente dividido em 18 estações, que podem ser individuais ou coletivas (de até seis pessoas). A rotatividade por lá, que funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, é de aproximadamente 170 pessoas.

Os sócios-proprietários vieram de São Paulo para arriscar a ideia na capital da República. A resposta ultrapassou todas as expectativas. Hoje, está com praticamente 100% das estações ocupadas e, nos últimos seis meses, movimentou R$ 10 milhões, R$ 2 milhões a mais do que todo o ano passado. ;Boas startups saíam de Brasília para crescer. Aqui tem know-how. Por que não se criar e crescer aqui? E o ecossistema de coworking facilita. Você trabalha de forma cooperativa, com várias empresas, de vários setores, que ajudam na sua ideia, que fazem um comercial de graça, e sem aqueles custos iniciais para arcar sozinho, em um momento ainda de instabilidade;, defende Juliana Guimarães, 31 anos, sócia da 4Legal.

Diversidade

A diversidade no ambiente de coworking é tão grande que no mesmo espaço físico podem haver empresas de advocacia, de publicidade, de jornalismo, de sistemas de internet, startups, editoras, produtoras de vídeos e, no caso da 4Legal, até uma empresa pública. Cada uma no seu canto, porém, juntas em um amplo escritório. Cada sala, por exemplo, comporta até 10 pessoas e pode ser alugada por R$ 4,5 mil. Por R$ 865, um espaço individual. Os valores incluem internet, telefone, serviços gerais, luz e água. Roni Tavares, 35 anos, é dono de uma empresa de tecnologia desenvolvedora de softwares. Adotou o coworking há três meses. ;Todos os nossos programadores e analistas quase não se viam. Era todo mundo muito distante. Hoje, estamos todos interligados e interagindo. O trabalho funciona e tem muito mais qualidade;, reconhece.

O empresário Iuri Dantas, 38 anos, optou por montar um site especializado em informações jurídicas. Foi criado em setembro de 2014. De lá para cá, contratou funcionários, estagiários, e o negócio vai de vento em popa. ;Se o nosso site cai, tem uma empresa de programação aqui dentro do coworking que resolve. Se preciso de um vídeo de última hora, tem uma produtora de vídeo que se movimenta e faz o que eu preciso. Isso viabiliza demais o serviço. É um sistema revolucionário, que tem um resultado final muito bom;, elogia. Na sexta-feira retrasada, quando foi comemorado o Coworking Day na 4Legal, 24 novas empresas ou protótipos de empresas se inscreveram para passar o dia no ecossistema.

Há cerca de um mês, a cidade ganhou uma nova franquia de coworking, a CWK, no Setor Hoteleiro Norte. Outra no ramo é a Co-piloto, na 306 Sul, além da Multiplicidade, na 702/703 Norte, pioneira no DF. E desde março, a Bras
Segundo Lívia, metade do escritório já está alugada e a sala de reunião, no próximo mês, será, uma vez por semana, de um grupo específico de consultoria e gerenciamento de lojas. ;Eu continuo trabalhando com meu escritório, mas, antes, ficava projetando sozinha, trancada, e isso era ruim. Hoje, o network é o mais interessante. Outras pessoas e outras ideias;, justifica. No início, a arquiteta ficou temerosa, não sabia como seria a aceitação desse tipo de mercado. Mas, agora, com menos de seis meses funcionando, Lívia já sente o resultado. ;Não tenho prejuízo. Consigo arcar com os custos, sinto que meus planos estão dando certo, mas nem todo mundo se adapta: tem que ter perfil;, resume. Na Bras
100
Número aproximado de espaços de coworking no Brasil

4 mil
É a estimativa de escritórios de coworking no mundo

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