Dá nem um time

Dá nem um time

Inexperiência fará a Seleção sofrer na caminhada para a Copa de 2018. Dos 48 convocados por Dunga, só 10 têm no currículo participação no torneio. Ainda assim, o treinador abriu mão de metade deles

Marcos Paulo Lima
Marcos Paulo Lima
postado em 17/08/2015 00:00


Gerente do departamento de recursos humanos da Seleção Brasileira, Carlos Caetano Bledorn Verri, o Dunga, exige experiência nas Eliminatórias como pré-requisito para a contratação de colaboradores capazes de classificar o país para a Copa de 2018, mas falta mão de obra especializada.

O currículo dos candidatos testados com a amarelinha nos últimos 12 meses é pobre. Dos 48 jogadores convocados depois do vexame em 2014, apenas 10 têm experiência profissional em um jogo válido pela seletiva sul-americana. Oito estão na casa dos 30 anos. O Correio tentou escalar uma equipe do camisa 1 ao 11. Faltou goleiro (ver campinho).

Sucessor de Júlio César depois do Mundial de 2014, Jefferson tem 32 anos, mas não conhece o clima hostil das Eliminatórias Sul-Americanas. O goleiro será um dos calouros em outubro, na estreia diante do Chile, no Estádio Nacional, em Santiago. A falta de maturidade da atual geração é um dos sintomas responsáveis pela síndrome do pânico de ficar fora da copa pela primeira vez na história. ;A decisão dos convocados passa pelas Eliminatórias. Não podemos colocar alguns jogadores para ganhar experiência;, argumentou Dunga na última quinta-feira, ao anunciar 24 nomes para os amistosos de setembro contra a Costa Rica e os Estados Unidos.

Em processo de renovação, a Seleção Brasileira tem um abismo. De um lado estão jogadores jovens, como o capitão Neymar, Lucas e Oscar. Do outro, medalhões experiente que atuam em mercados periféricos em uma espécie de ensaio da aposentadoria. Dunga apostou em Robinho na Copa América. Para os amistosos, repatriou Kaká. ;Ele é uma referência. Tem experiência e maturidade para nos ajudar em momentos difíceis. Vai fazer um trabalho importante dentro e fora de campo;, argumentou Dunga ao explicar a convocação do jogador do Orlando City.

A preocupação com a inexperiência da Seleção nas Eliminatórias é ainda mais evidente se observarmos outros veteranos em atividade nos Estados Unidos. Pirlo, Villa, Lampard e Gerrard, por exemplo, atuam no futebol norte-americano, mas todos eles são páginas viradas nas convocações das seleções dos seus países. ;Agradeço a confiança do Dunga. Espero colaborar em campo com a questão técnica, tática, a experiência que eu tenho. E fora, com a experiência, maturidade. Acredito que eu posso dar uma mão nesse momento;, disse Kaká.

Inspiração
O método de Dunga lembra o de Carlos Alberto Parreira antes das Eliminatórias para a Copa de 1994. Na época, o treinador chegou a convocar Júnior, que tinha 38 anos, para amistosos. O ídolo do Flamengo não fez parte do grupo do tetra, mas exalou experiência no elenco.

;Todo grupo precisa de pilares sólidos e o Kaká é uma referência dentro e fora de campo;, alerta o pentacampeão mundial Edmílson. Escolhido por Dunga para ser observador técnico nos próximos amistosos da Seleção, ele acrescenta. ;É muito importante ter um jogador como o Kaká em um momento que não é fácil e exige resultados. Há jogadores com 10 anos a menos do que ele, é importante criar esse líder, esses pilares para que a Seleção alcance seus objetivos nas Eliminatórias e na próxima Copa do Mundo;, analisa.

Dos 24 convocados para os ensaios contra a Costa Rica e os EUA, cinco participaram das Eliminatórias. O zagueiro Miranda, os laterais Daniel Alves e Filipe Luís, o volante Ramires e o meia Kaká trabalharam com Dunga nas Eliminatórias para a Copa de 2010. Kaká também esteve no grupo de Carlos Alberto Parreira na seletiva para o Mundial de 2006.

;A decisão dos convocados passa pelas Eliminatórias. Não podemos colocar (no amistosos) alguns jogadores para ganhar experiência;
Dunga, técnico da Seleção

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